Israel constrói fosso com crocodilos em prisão para detentos do Hamas
Israel constrói fosso com crocodilos em prisão

Israel deu início à construção de um fosso com crocodilos-do-Nilo ao redor de uma ala da prisão de Ketziot, no deserto de Negev, onde estão detidos membros do grupo Hamas. O projeto, aprovado pelo Ministério da Segurança Nacional, gerou controvérsia entre ambientalistas e autoridades de proteção animal.

Projeto de segurança inspirado em prisão americana

O fosso, com largura estimada de seis metros e profundidade de quatro metros, abrigará dezenas de crocodilos-da-espécie-africana. A iniciativa foi inspirada no 'Alcatraz dos jacarés', na Flórida (EUA), onde um fosso semelhante cerca uma prisão de segurança máxima. A ideia é impedir fugas e invasões, aproveitando o medo natural dos répteis.

De acordo com fontes do Ministério da Segurança Nacional, a obra começou na semana passada e deve ser concluída em três meses. O custo estimado é de 12 milhões de shekels (cerca de R$ 17 milhões). A ala específica abriga aproximadamente 200 presos do Hamas, considerados de alto risco.

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Reclassificação controversa do crocodilo-do-Nilo

O projeto avançou após o Ministério de Proteção Ambiental reclassificar o crocodilo-do-Nilo como 'animal selvagem domesticado', uma categoria que permite sua criação e uso em instalações privadas. A mudança ocorreu apesar da forte oposição da Autoridade de Natureza e Parques de Israel, que alertou para os riscos ecológicos e de segurança.

Especialistas ambientais criticaram a decisão. Segundo a organização 'Animais da Terra', a reclassificação abre precedentes perigosos para a exploração de fauna silvestre. 'Crocodilos são predadores de topo; mantê-los em um fosso urbano é um desastre ecológico e uma crueldade', declarou um porta-voz da ONG.

Detalhes da construção e medidas de segurança

O fosso será cercado por uma grade dupla de aço e terá sistema de alimentação automatizado para os crocodilos. Equipes de tratadores especializados serão contratadas para monitorar a saúde dos animais. O Ministério da Segurança Nacional afirmou que o local contará com câmeras e sensores para evitar acidentes com os agentes penitenciários.

Apesar das garantias, a Autoridade de Natureza e Parques alertou que crocodilos-do-Nilo podem atingir até seis metros de comprimento e viver mais de 50 anos, representando ameaça constante caso haja falhas na contenção. Em nota, a autoridade disse que 'a decisão foi tomada sem consulta adequada e ignora os riscos de longo prazo'.

Reações políticas e de direitos humanos

A medida também gerou críticas de organizações de direitos humanos. A Anistia Internacional classificou o fosso como 'tortura psicológica' contra os detentos. 'Usar animais ferozes como ferramenta de intimidação é uma violação das convenções internacionais', afirmou a entidade em comunicado.

O governo israelense, no entanto, defende a obra como necessária para a segurança nacional. 'Temos o direito de proteger nossos agentes e impedir fugas de terroristas perigosos', declarou um porta-voz do Ministério da Segurança Nacional, que pediu anonimato.

Impacto ambiental e questionamentos éticos

Ambientalistas destacam que o crocodilo-do-Nilo não é nativo de Israel. A introdução da espécie no ecossistema do deserto pode causar desequilíbrios caso haja escape. Além disso, o bem-estar dos animais é questionado, já que o fosso artificial não reproduz seu habitat natural.

O Ministério de Proteção Ambiental defendeu a reclassificação dizendo que 'a criação controlada em ambiente fechado não oferece riscos ecológicos'. No entanto, estudos da própria pasta indicam que crocodilos criados em cativeiro podem desenvolver estresse e agressividade elevada.

A construção segue em ritmo acelerado, e a previsão é que os primeiros crocodilos sejam introduzidos no fosso dentro de 60 dias. A polêmica, porém, deve continuar, com possíveis ações judiciais de grupos ambientalistas para tentar barrar o projeto.

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