Idoso resgatado de trabalho escravo em Ponta Grossa dormia em caminhão e não tinha água
Idoso resgatado de trabalho escravo em Ponta Grossa

Um idoso de 69 anos foi resgatado em situação análoga à escravidão em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, após quase um ano de exploração. A ação foi realizada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e pela Polícia Federal (PF). O homem, natural de Tibagi, morava em Ponta Grossa há alguns anos, mas vivia na empresa desde junho de 2025 em condições extremas de degradação. No dia 27 de maio de 2026, quarta-feira, ele foi resgatado e encaminhado a um abrigo, após receber atendimento médico e assistência social.

Condições de trabalho e vida

O idoso atuava como vigilante em uma empresa de venda e locação de carros e máquinas, cujo nome não foi divulgado. Ele não tinha folgas, nem mesmo para dormir sem a preocupação de vigiar o local. Recebia R$ 400 por semana, sem contrato de trabalho ou carteira assinada. Sem quarto ou cama, improvisou um dormitório na cabine de um caminhão que estava à venda. Não havia água encanada disponível; ele precisava caminhar cerca de 100 metros por estrada de terra até uma empresa vizinha para buscar água, carregando galões manualmente. Para comprar alimentos, tinha que sair correndo até um mercado próximo, pois não podia deixar o posto de trabalho desguarnecido por muito tempo.

Degradação humana

De acordo com a PF, o trabalhador enfrentava falta de alimentação adequada, ausência de água potável, condições precárias de higiene e jornadas exaustivas sem descanso semanal remunerado. Os auditores-fiscais do trabalho constataram que, embora não houvesse restrição física de liberdade ou violência direta, havia um contexto de intensa vulnerabilidade social e exploração laboral incompatível com a dignidade humana e com os direitos mínimos assegurados pela legislação trabalhista brasileira. A cabine do caminhão era suja, com apenas cobertas finas, mesmo diante das baixas temperaturas da região. O acesso era difícil para o idoso, que tinha limitações de locomoção devido à idade e comorbidades. O banheiro existente no local não tinha água encanada; ele tomava banho na empresa vizinha esporadicamente, por solidariedade dos vizinhos. A cozinha era precária, com apenas um fogão de duas bocas.

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Investigação e penalidades

A empresa e seus responsáveis serão investigados e poderão responder pelo crime de redução à condição análoga à de escravo, previsto no Código Penal Brasileiro, com pena de até oito anos de prisão, além de multa e outras sanções trabalhistas. O Ministério do Trabalho dará sequência aos procedimentos administrativos para garantir o pagamento das verbas trabalhistas devidas ao idoso e seu encaminhamento para atendimento social e acompanhamento especializado. A Polícia Federal continuará investigando possíveis outras irregularidades e identificando todos os envolvidos na exploração.

Denúncias

A situação foi descoberta após denúncias. Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados anonimamente pelo Sistema Ipê, plataforma da Secretaria de Inspeção do Trabalho, desenvolvida em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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