Rafael Vinicius Silva de Souza, de 29 anos, morreu na noite de segunda-feira (20) após esperar cerca de duas horas por uma ambulância em Catalão, no sudeste de Goiás. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que ele caminha pelas calçadas, bate de porta em porta e implora por ajuda de moradores, sem sucesso. O Ministério Público vai apurar por que o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não conseguiram socorrê-lo a tempo.
O que aconteceu
De acordo com a TV Anhanguera, vizinhos ligaram para o Samu e para o Corpo de Bombeiros, mas relataram que nenhuma viatura chegou a tempo de socorrer Rafael. As imagens mostram ele na rua, aparentemente desorientado, sem conseguir falar o que sentia, e depois caindo no chão. Moradores contaram que ele pedia para chamarem uma ambulância.
O morador Bruno Savicki Zanetti Mori disse à TV Anhanguera que ligou uma vez para a polícia e duas para o Corpo de Bombeiros. "Minha esposa ligou uma vez para o Corpo de Bombeiros e os vizinhos ligaram dezenas de vezes. E a resposta sempre foi a mesma: que não tinha viatura, estavam todas em operação e que, quando tivesse uma, eles iam mandar para cá", relatou.
Versão dos bombeiros
Um bombeiro da cidade, em entrevista à TV Anhanguera, afirmou que a primeira ligação registrada foi às 22h23 e que havia ambulância disponível para resgate. "A primeira ocorrência, a primeira ligação que a unidade atendeu, essa unidade resgate já foi despachada. Então assim, pode ter havido alguma incongruência nessas primeiras ligações. Nós já estamos apurando essas informações, verificando o que realmente aconteceu", disse.
A Polícia Científica informou ao g1 que o corpo de Rafael foi encaminhado ao IML por suspeita de "intoxicação exógena por entorpecente", ou seja, por uso de drogas. A causa da morte só será confirmada após exames laboratoriais, que devem ficar prontos entre 30 e 60 dias.
Investigação do MP
O Ministério Público de Goiás instaurou procedimento para investigar a demora no atendimento. A apuração vai analisar as ligações feitas ao Samu e ao Corpo de Bombeiros, bem como a disponibilidade de viaturas na noite do ocorrido. O g1 não conseguiu localizar a família de Rafael até a última atualização desta reportagem.



