Um homem de 44 anos denunciou ter sido vítima de um espancamento motivado por homofobia em Florianópolis. O crime ocorreu em 22 de junho na Praia das Palmeiras, na parte continental da cidade. A vítima, que trabalha como vendedor e não quis ter o nome divulgado, foi abordada por seis desconhecidos enquanto fazia uma caminhada na orla após o trabalho.
Detalhes do ataque
Segundo relato ao g1, o homem foi encurralado por cinco rapazes vestindo moletons, aparentemente estudantes. Em seguida, um sexto homem, mais velho, desceu e iniciou a agressão verbal. “Esse rapaz que desceu por último veio perguntando o que eu estava fazendo ali. Eu, inocente, respondi: 'ah, eu moro aqui, eu sou morador daqui, tô fazendo uma caminhada normal'. Após eu falar isso, ele falou assim com os outros: 'é, pela voz já vi que é bichinha, que é gayzinho'”, contou a vítima.
Os agressores se afastaram, mas retornaram minutos depois e começaram a espancá-lo com socos no rosto e nas costelas. “Ele veio para o meu lado e falou assim: 'prepara que você vai morrer, prepara para apanhar'”. O restante do grupo se juntou ao espancamento. A vítima lembra de ter ouvido frases como “morto não ouve, morto não vê”. Os criminosos roubaram a chave da casa da vítima e os tênis, e continuaram as agressões com chutes, socos e golpes com o próprio calçado da vítima.
Socorro e investigação
A proprietária da quitinete onde a vítima morava o acolheu na garagem, e o marido dela o levou de carro até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Na UPA, dois policiais militares colheram o depoimento e registraram o boletim de ocorrência. A vítima ficou em observação por cerca de quatro horas para descartar traumatismo craniano, após exames de raio-X.
A Polícia Militar informou que “ao tomarem conhecimento da ocorrência, todas as guarnições do 22º BPM foram empenhadas nas buscas, porém os suspeitos não foram localizados”. Em nota nesta terça-feira (30), a Polícia Civil informou que abriu inquérito para “apurar o crime de roubo e outros delitos conexos”. Conforme a investigação, a maioria dos agressores tinha menos de 18 anos. Ninguém havia sido preso ou apreendido até a última atualização.
Apoio e consequências
O Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) foi acionado para atender o caso e orientar a vítima. Por questões de segurança, o vendedor se mudou com a ajuda de colegas de trabalho, que abriram uma vaquinha virtual para ajudá-lo a comprar itens básicos para a nova casa, como geladeira, fogão e botijão de gás. “Eu nunca mexi com ninguém, todo mundo me adora. E toda hora alguém fica tentando achar uma culpa. Eu não mereço isso”, desabafou.



