Uma família de São Carlos (SP) está à procura de Guilherme Medeiros da Silva, de 32 anos, que desapareceu há 20 dias após sair para uma atividade externa de uma clínica de reabilitação em Cotia (SP). O homem foi visto pela última vez no dia 28 de maio, na Rodovia Anhanguera (SP-330).
O desaparecimento
De acordo com o boletim de ocorrência, os familiares foram comunicados sobre o desaparecimento no dia 29 de maio. A Polícia Civil investiga o caso. A mãe, Maria Rosana Machado, afirma que não autorizou a saída do filho da clínica e que, em nenhum momento, foi consultada ou solicitada a fornecer qualquer tipo de autorização. O g1 entrou em contato com a Estância Terapêutica Vida Plena, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Busca de doações e fuga
Conforme o boletim de ocorrência, Guilherme teria saído para buscar doações de uma igreja destinadas à Estância Terapêutica Vida Plena. No entanto, o caminhão utilizado para o transporte apresentou problemas mecânicos na rodovia. Nesse momento, segundo o relato da clínica, o paciente teria fugido e entrado em uma área de mata. Desde então, ele não foi mais localizado.
"É uma coisa desesperadora. Estamos atrás dele e só Deus sabe onde ele está. Eu, como mãe, não durmo, estou vivendo à base de remédios. Cadê o meu filho? Ele está em tratamento e não é adequado sair de lá. Se coloquei ele lá dentro, é para ficar lá dentro. A clínica não se manifesta sobre nada. Só falou que está procurando", disse a mãe.
Segundo Maria Rosana, Guilherme é dependente químico e realizava tratamento na unidade desde dezembro de 2025. Anteriormente, ele trabalhou como operário de máquina em diversas fábricas de grande porte de São Carlos.
O que diz a família
A advogada Ana Paula Góis informou que a Estância Terapêutica não registrou boletim de ocorrência após o desaparecimento do paciente. Segundo ela, a clínica se exime de responsabilidade com base em uma cláusula contratual que estabelece que fatos ocorridos fora das dependências não são de sua responsabilidade. De acordo com a advogada, a instituição também sustenta que a mãe autorizou a participação do paciente em atividades externas, mas ela nega.
"Eles só falam que estão procurando o Guilherme. O advogado que representa a clínica disse que não há o que fazer neste momento e que vai aguardar uma manifestação da minha parte para apresentar a defesa", afirmou a advogada.
Maria Rosana reforçou que não foi informada previamente sobre a saída do filho da unidade. Ela contou que um motorista e um homem desconhecido teriam feito o transporte com o filho no caminhão. Ela não foi informada se alguém da clínica acompanhou o paciente no trajeto.
"Em nenhum momento me ligaram pedindo autorização para que ele saísse. E a minha resposta seria não. Só me ligaram para dizer que o caminhão apresentou problemas na estrada, que pararam para fazer o conserto e que, nesse momento, houve a fuga do meu filho. Se houvesse um responsável da clínica acompanhando de perto, isso não teria acontecido", finalizou a mãe.



