A quinta audiência de conciliação entre rodoviários e empresas de ônibus para discutir a greve da categoria no Rio de Janeiro terminou novamente sem acordo nesta quarta-feira (22) no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), no Centro do Rio. Com isso, o estado de greve dos rodoviários está mantido. Uma nova assembleia da categoria será realizada na quinta-feira (23), às 16h.
Próximos passos na Justiça do Trabalho
O TRT estabeleceu um prazo de 10 dias para que as partes apresentem suas propostas. A partir daí, a Justiça do Trabalho tomará sua decisão. O desembargador Gustavo Tadeu Alckmin, presidente do TRT da 1ª Região, explicou os próximos passos: "A partir da proposta feita pelo sindicato das empresas, o sindicato dos rodoviários fará uma assembleia. Caso eles entendam por aceitar a proposta e queiram reabrir as negociações, o Tribunal fica totalmente aberto."
"Caso eles (rodoviários) não cheguem a um consenso, o processo vai seguir normalmente. Ambos irão apresentar suas defesas, o Ministério Público vai poder se manifestar, e será designado um desembargador relator, para que o colegiado decida sobre a legalidade ou não da greve", acrescentou Tadeu Alckmin.
Propostas e reivindicações
O Sindicato dos Rodoviários rejeitou a oferta da Rio Ônibus de aumento salarial de 5% e de 6% na cesta básica, sem desconto nos dias de greve. Os rodoviários inicialmente pediam 17% de reajuste, mas reduziram para 12%, em duas parcelas. Uma proposta quase idêntica já havia sido recusada na audiência da semana passada.
Os rodoviários exigem: reajuste de 12% em duas parcelas; piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para os demais; vale-alimentação de R$ 1 mil; plano de saúde; e mudanças na escala de trabalho e jornada de 7 horas e meia. Os patrões ofereceram 5% de reajuste e afirmaram que não haveria contraproposta.
Jornada de trabalho é ponto de divergência
Um dos principais pontos de conflito é a jornada de 7 horas e meia. Segundo o sindicato, os trabalhadores têm a última meia hora descontada do salário, mas afirmam que esse intervalo não é suficiente para refeição ou descanso. Durante a audiência, a procuradora do Ministério Público do Trabalho reforçou o argumento dos rodoviários e pediu que as empresas buscassem uma solução.
O município conta com cerca de 3.600 ônibus. A greve afeta milhões de passageiros diariamente.



