A greve dos rodoviários no Rio de Janeiro chega ao terceiro dia nesta quarta-feira (30), mantendo o caos no transporte público da cidade. Em resposta, os sistemas de trens e metrô operam com frota reforçada para atender à demanda crescente de passageiros que enfrentam longas esperas nos pontos de ônibus.
Operação reforçada nos trens e metrô
A SuperVia e o MetrôRio anunciaram que aumentarão o número de trens e vagões em circulação durante os horários de pico. A medida visa minimizar os transtornos para os usuários que dependem do transporte sobre trilhos como alternativa aos ônibus parados. Segundo as empresas, a capacidade foi ampliada em até 30% em algumas linhas.
Negociações estagnadas e rejeição à proposta da Justiça
As negociações entre o sindicato dos rodoviários e as empresas de ônibus continuam sem avanço. A categoria exige reajuste salarial de 15%, enquanto as empresas oferecem 8%. A Justiça do Trabalho propôs a suspensão temporária da greve por 72 horas para retomada das conversas, mas a assembleia dos trabalhadores rejeitou a proposta na segunda-feira (28).
"Não aceitamos a suspensão sem garantias concretas de aumento", afirmou o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio, Sebastião José, em entrevista coletiva. "A categoria está unida e disposta a manter a paralisação até que haja uma proposta justa."
Prefeitura exige 80% da frota e multa diária
A Prefeitura do Rio de Janeiro determinou que as empresas de ônibus mantenham 80% da frota circulando durante a greve, conforme decisão liminar. O descumprimento da medida pode gerar multa diária de R$ 100 mil para cada empresa. No entanto, relatos de passageiros indicam que a frota efetiva é bem inferior ao exigido, com muitas garagens fechadas e ônibus retidos.
Impacto para os passageiros
Na manhã desta quarta, filas enormes se formaram nas estações de trem e metrô, especialmente na Central do Brasil e na Estação Carioca. Passageiros relataram espera de mais de uma hora para embarcar. "Estou há duas horas tentando pegar um ônibus, mas não passa nenhum. Vou de metrô, mesmo lotado", disse a auxiliar administrativa Maria da Silva, de 38 anos.
Segundo dados do Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio Ônibus), apenas 30% da frota total circulou na terça-feira (29). A estimativa é que 2 milhões de passageiros foram afetados diariamente desde o início da greve.
Próximos passos
Uma nova rodada de negociação está marcada para esta quarta-feira à tarde, na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região. A expectativa é que as partes tentem chegar a um acordo intermediário para encerrar a paralisação. Caso contrário, a greve pode se estender por mais dias, agravando ainda mais a situação do transporte na capital fluminense.



