O ciclista mineiro Agustinho Albino de Queiroz, de 65 anos, encontrou José Carlos Cruz Júnior, de 39 anos, ferido em uma mata em Guará (SP), após seu GPS travar e obrigá-lo a mudar a rota. Agustinho acredita que salvou a vida do motociclista por milagre. José Carlos estava no local havia dois dias, sem água e sem comida, após sofrer um acidente.
GPS travado e mudança de rota
Agustinho, natural de Uberaba (MG), viajou para o interior de São Paulo para testar o percurso de uma prova de mountain bike que disputaria em 21 de junho. "Eu estava a 90 quilômetros dele, resolvi ir a Guará na quinta-feira [18] à noite. Deu um 'clique' aqui, falei 'tenho que ir lá conhecer essa pista, que eu não vou correr em uma pista onde eu não sei o trajeto, então eu tenho que ir lá, de qualquer forma'. Acho que foi Deus mesmo que me mandou lá e achei ele no lugar que ele estava", disse Agustinho à EPTV, afiliada da TV Globo.
Segundo ele, o GPS travou durante o trajeto, forçando-o a sair da rota. Foi nesse desvio que ouviu um pedido de socorro vindo do meio da mata. "Comecei a ouvir umas vozes. No começo achei que pudesse ser algum bicho ou até gente trabalhando na rodovia. Depois percebi que parecia uma voz humana", contou.
Encontro e resgate
Ao entrar no mato, Agustinho afastou o capim alto e encontrou primeiro uma moto caída. Poucos metros adiante, viu José Carlos, ferido e praticamente sem conseguir falar. O motociclista, que trabalha como operador de máquinas, desapareceu em 17 de junho quando saiu de Ituverava (SP) para visitar um amigo em Guará. Agustinho o encontrou em 19 de junho, em uma vala na estrada vicinal Liliana Tenuto Rosa, entre as duas cidades paulistas, e acionou o socorro.
O ciclista tentou parar motoristas na Rodovia Anhanguera, próxima à estrada vicinal, mas ninguém parou nos primeiros minutos. Até que um casal decidiu ajudá-lo e reconheceu a situação. "Foi aí que disseram: 'É o homem que está desaparecido há dias'. Eu nem sabia, porque sou de Uberaba", lembrou.
Reencontro com a família
Enquanto aguardavam o resgate, mais pessoas chegaram ao local, entre elas uma das filhas de José Carlos, a estudante Maria Clara Galdiano Cruz. "Foi muito angustiante. Quando a gente chegou lá, por ele estar preso no cipó, as pernas dele estavam muito roxas, então ele estava de costas pra pista, debaixo de uma árvore. A primeira coisa que eu perguntei foi 'ele está vivo?'", relatou Maria Clara.
Agustinho conseguiu tranquilizá-la, dizendo que o pai estava vivo. A família havia alugado um drone para tentar localizar José Carlos durante o período em que esteve desaparecido.
Emoção e gratidão
Agustinho já conversou por telefone com José Carlos, que segue internado em recuperação. Os dois se emocionaram. "Graças a Deus, agora ele está bem. A gente conversou, nos emocionamos, ele me agradecendo, mas não tem que agradecer nada. Ele tem que agradecer a Deus, porque ele foi merecedor para que eu pudesse achar ele. E eu agradeço demais a Deus por ter servido de ajuda para alguém aqui na terra", disse o ciclista.



