A Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) detalhou nesta sexta-feira (17) que o motorista de aplicativo José Edson da Silva, de 43 anos, foi sufocado com um golpe conhecido como “mata-leão” antes de ter o corpo jogado no Rio Pardo por três adolescentes, de 13, 14 e 16 anos. O delegado André Baldocchi, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), afirmou que os suspeitos confessaram ter chamado a corrida pelo aplicativo com a intenção de roubar o carro da vítima.
Detalhes do crime
Segundo Baldocchi, o ataque ocorreu ao final da corrida. “Deu um golpe tipo mata-leão, a vítima chegou a ficar desacordada. Nesse momento, eles tomaram a condução do veículo e acabaram jogando o corpo da vítima”, disse o delegado. A polícia apura se José Edson foi jogado ao rio ainda com vida. Os adolescentes relataram que a vítima chegou a recobrar a consciência e foi novamente atacada com o mesmo golpe.
As buscas pelo corpo começam na tarde desta sexta-feira. O Corpo de Bombeiros foi acionado e prepara equipamentos como roupas de mergulho e embarcações para vasculhar o Rio Pardo, na região do Ribeirão Verde, próximo ao Clube dos Feirantes.
Investigação e contradições
Inicialmente, os adolescentes alegaram à Delegacia da Infância e Juventude que haviam comprado o carro de José Edson. No entanto, a DIG reuniu imagens, dados de leitura de placas e informações sobre o trajeto do veículo, que contradisseram essa versão. “Nós conseguimos identificar que, na verdade, foi um desses adolescentes quem fez o pedido da corrida via aplicativo. Ou seja, já desmentiu a versão dos adolescentes”, afirmou Baldocchi. Os adolescentes confessaram o envolvimento após serem ouvidos novamente.
Os suspeitos disseram que não tinham intenção de matar, mas sim de roubar o carro e pertences. A polícia não confirma se a vítima já estava morta ao ser jogada no rio. “Eles imaginaram que a vítima estivesse morta. Nós não sabemos como é isso. Assim que o corpo for encontrado, ele será encaminhado ao IML, e aí sim o perito irá dizer se foi jogado com vida ou não”, explicou o delegado. A suspeita inicial é de morte por esganadura ou sufocamento, já que não foram encontrados sinais de sangue no carro.
Enquadramento legal
Por serem menores de 18 anos, os adolescentes não respondem por crime, mas por ato infracional análogo a latrocínio (roubo seguido de morte). Eles serão encaminhados ao Ministério Público (MP) ainda nesta sexta-feira. Caberá ao MP decidir se pede à Justiça a internação provisória dos envolvidos. Até a última atualização, não havia decisão sobre eventual apreensão. A investigação continua para localizar o corpo, confirmar a causa da morte e esclarecer a participação de cada adolescente.



