Golpe do aluguel: saiba como identificar anúncios falsos e se proteger
Golpe do aluguel: saiba como identificar anúncios falsos

Golpistas têm se tornado cada vez mais sofisticados ao aplicar o golpe do falso aluguel. Eles utilizam fotografias e informações de imóveis reais, criam sites e portais falsos e se passam por proprietários ou corretores para solicitar pagamentos antecipados. A pressa do potencial inquilino é o principal aliado do crime, segundo especialistas.

Sinais de alerta para evitar o golpe

Gyselle Campos Rodrigues, diretora comercial da imobiliária URBS Aluga, explica que até mesmo sites e portais falsos estão sendo desenvolvidos para conferir uma aparente normalidade e segurança ao processo. “Verifique qual empresa está anunciando, se ela possui sede física, CNPJ, telefone oficial e histórico de atuação. Uma pesquisa rápida pode evitar um grande prejuízo”, afirma.

O advogado Rodrigo Palácios, sócio da área de Direito Imobiliário do Viseu Advogados, orienta a conferir o CRECI do corretor no site do conselho regional. “Não basta o número aparecer no cartão, é preciso que o corretor esteja regular no site”, alerta.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Preços muito baixos e pressa são bandeiras vermelhas

Tanto Palácios quanto Rodrigues destacam que os inquilinos devem desconfiar de preços extremamente abaixo do mercado ou inferiores aos de imóveis semelhantes na região. “Se o valor está 20%, 30% abaixo da média da região, com certeza é porque há algo errado”, pontua o advogado.

Os especialistas lembram que a pressa pode ser inimiga da perfeição. Desconfie de corretores que impõem urgência para fechar contrato com a desculpa de que há muitas pessoas interessadas, que o valor é promocional apenas naquele momento ou que o imóvel pode ser alugado a qualquer instante.

Documentação é essencial antes de qualquer pagamento

Palácios orienta sempre exigir a matrícula atualizada do imóvel, com prazo máximo de 30 dias, ou o IPTU. A matrícula é obrigatória para o contrato de locação. “Quem diz que a matrícula é sigilosa está tentando esconder que o imóvel não é dele ou que o anúncio é falso. Não existe justificativa para a não apresentação”, enfatiza.

A diretora comercial da URBS Aluga reforça: não passe nenhum valor sem ter analisado a documentação da locação, como contrato e vistoria técnica, confirmado os dados do corretor e visitado o imóvel. “Se houver pressão para pagar antes da devida conferência das informações e documentos, desconfie. Em uma negociação segura, todas as etapas são realizadas com transparência e sem pressa”, diz Rodrigues.

Palácios também recomenda não fazer pagamentos antes de assinar o contrato e não realizar depósitos que não estejam previstos nesse documento, “mesmo que seja a comissão do corretor”.

Cuidado com o 'corretor substituto' e visitas relâmpago

O corretor também pode dar sinais de alerta. Tome cuidado com a história do “corretor substituto”, quando o profissional original não pode comparecer e outro aparece no lugar, apresentando documentação com falhas. “Problemas pessoais”, “viagens inesperadas” e “proprietários no exterior” podem significar que algo está errado.

Os especialistas alertam para visitas relâmpago ou acordos fechados sem visita presencial. Desconfie quando toda a negociação é feita por WhatsApp. Fazer a visita presencial elimina 100% o risco? Não necessariamente. O ideal é sempre verificar os dados do corretor, da imobiliária, a documentação e quem é o proprietário.

Caí no golpe. E agora?

Os especialistas recomendam fazer boletim de ocorrência, acionar o banco imediatamente para tentar bloquear ou estornar os valores via Mecanismo Especial de Devolução (MED), previsto no Pix. A janela de tempo é curta: 72 horas em muitos casos. É importante também informar a imobiliária cujo nome foi usado para que ela possa retirar o anúncio falso e alertar outras vítimas. Por fim, denuncie o anúncio à plataforma.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Entre os documentos que devem ser compilados estão: prints de todas as conversas (WhatsApp, e-mail, direct) com data e hora; comprovantes de transferência/Pix e extratos bancários; cópia do contrato digital recebido; prints do anúncio, incluindo link, data de publicação e fotos usadas; dados do suposto corretor: nome, CPF/RG informado, número de CRECI, telefone, perfis em redes sociais, chave Pix/banco receptor; registros da visita (fotos, geolocalização, testemunhas); protocolos de atendimento do banco; e número do B.O. e cópia dele. “Quanto mais documentos, melhor”, lembra o advogado.