Absolvidos policiais que executaram suspeito rendido em Paraisópolis
Absolvidos PMs que executaram suspeito rendido em Paraisópolis

O Tribunal do Júri, em São Paulo, decidiu pela absolvição dos policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados da execução de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, em 10 de julho de 2025, durante uma operação na comunidade de Paraisópolis, Zona Sul da capital paulista. A decisão foi tomada na quarta-feira (29) por sete jurados — cinco homens e duas mulheres —, que consideraram insuficientes as provas apresentadas pela acusação.

Julgamento e desmembramento do processo

Além dos dois cabos, os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus também são réus pelo mesmo crime, porém na condição de colaboradores. O processo contra eles foi desmembrado e ainda não há data definida para o julgamento. A denúncia do Ministério Público foi oferecida ao Tribunal de Justiça em 22 de julho de 2025, aceita pela juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara do Júri. Uma semana depois, em 29 de julho, a Justiça tornou os quatro policiais réus.

O que mostram as câmeras corporais

As gravações das câmeras acopladas aos uniformes dos agentes, obtidas pela TV Globo, revelam detalhes da abordagem que terminou com a morte de Igor. Em cerca de 20 segundos de filmagem, o jovem aparece inicialmente rendido, com as mãos sobre a cabeça. Ele se deita no chão após ordem dos policiais, mas, em seguida, começa a se levantar com uma mão erguida, obedecendo a novas determinações. Nesse momento, o cabo Renato Torquatto da Cruz dispara o primeiro tiro, seguido pelo cabo Robson Noguchi de Lima. As imagens não mostram nenhuma arma nas mãos de Igor ou dos outros três suspeitos presentes no quarto.

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De acordo com as investigações do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), as câmeras corporais estavam funcionando e gravando sem que os policiais soubessem. Os vídeos flagraram os agentes invadindo o imóvel e arrombando a porta do cômodo onde os suspeitos estavam escondidos atrás da cama. Assim que os PMs entraram armados, os quatro jovens ergueram as mãos em sinal de rendição. Mesmo assim, os policiais gritavam para que entregassem armas, apesar de todos estarem desarmados.

Reação dos policiais após os disparos

Após os tiros, os próprios agentes tentam construir uma narrativa de que a vítima portava uma arma. Nas gravações, ouve-se um dos PMs dizer: "Tava armado, caralho. Tava armado." Em seguida, eles efetuam outro disparo contra a parede enquanto repetem ordens para que os suspeitos "soltem a arma". Depois, os policiais colocam luvas e prosseguem na residência, mas até o fim das gravações das quatro câmeras corporais não há registro da apreensão de qualquer arma com os abordados.

O Ministério Público, com base nas imagens, sustentou que Igor foi executado enquanto estava rendido. No entanto, a defesa dos policiais argumentou que eles agiram em legítima defesa, temendo que o jovem estivesse armado. O júri, após cerca de seis horas de deliberação, acolheu a tese defensiva.

Repercussão e próximos passos

A absolvição gerou reações diversas. Entidades de direitos humanos criticaram a decisão, apontando excessos e falta de accountability. O caso ainda aguarda o julgamento dos outros dois soldados envolvidos. A promotoria informou que pode recorrer da sentença.

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