Polícia investiga golpe de R$ 4,5 mi em terreno de Porto de Galinhas
Golpe de R$ 4,5 mi em terreno de Porto de Galinhas

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou nesta quarta-feira (22) a Operação Escritura Fria para desarticular um grupo suspeito de aplicar golpes com falsas transações de imóveis no Grande Recife. A investigação começou após um casal que mora na Califórnia, Estados Unidos, tentar vender um terreno avaliado em R$ 4,5 milhões na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, e descobrir que a propriedade havia sido transferida para uma empresa sem seu conhecimento.

Como o golpe foi descoberto

As investigações tiveram início em março deste ano, quando o casal, residente no exterior, decidiu vender o terreno. Ao consultar a documentação, constataram que o imóvel estava registrado em nome de uma pessoa jurídica, sem que jamais tivesse ocorrido qualquer processo de venda. Desconhecendo a empresa que figurava como nova proprietária, o casal acionou a polícia, que passou a investigar a procedência dos documentos a partir do cartório de Ipojuca.

A delegada Letícia Moreira, responsável pelo caso, explicou que a falsa transação foi realizada em um cartório de Olinda. “Fomos até o cartório de Olinda, onde eles [suspeitos] conseguiram realizar a suposta compra e venda utilizando uma procuração. Em mãos dessa procuração, descobrimos que ela tinha sido confeccionada no Rio Grande do Norte, em um cartório. Nós submetemos essa documentação ao Instituto de Criminalística, onde obtivemos a confirmação de que aquilo era um documento falso e, a partir daí, a gente começa a investigar o envolvimento de cinco pessoas e o que cada um deles havia cometido dentro desse trâmite”, afirmou.

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Alvos da operação

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão domiciliar expedidos pelo Juízo da Vara Criminal da Comarca de Ipojuca. Ninguém foi preso durante a ação. De acordo com a polícia, cinco pessoas são suspeitas de participar do esquema, entre elas um advogado, irmão de um tabelião responsável por um cartório em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Além dele, estão entre os alvos um despachante, um parente desse funcionário, dois advogados e a empresa que havia “adquirido” a titularidade do terreno. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

A delegada destacou a relação familiar do advogado com o tabelião: “O advogado seria irmão do tabelião titular do cartório no Rio Grande do Norte e se utilizou disso para fazer movimentações e conseguir facilidade para confeccionar o documento”.

Possíveis crimes e penalidades

Segundo Letícia Moreira, o grupo pode responder pelos crimes de estelionato, associação criminosa, falsidade ideológica, falsidade de documento público e uso de documentos falsos. As penas, somadas, podem ultrapassar 10 anos de reclusão. A polícia continua as investigações para identificar outras possíveis vítimas e verificar se o esquema se repetiu em outros imóveis.

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