O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) prendeu nesta terça-feira (7) José Clemir Spinelli, dono da Spinelli Produções, durante a operação "Pão e Circo", que apura fraudes em licitações de shows em cidades de Santa Catarina. A ação investiga um cartel que envolve políticos e empresários do setor de eventos no estado.
Operação cumpre 50 mandados em 18 municípios
Ao todo, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em 18 municípios catarinenses, além de um no Rio Grande do Sul. O prefeito de Governador Celso Ramos foi afastado do cargo, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 9 milhões em bens e valores dos suspeitos. O g1 tentou contato com a empresa e a defesa dos investigados, mas não houve retorno até a última atualização.
Único preso na ação
Clemir foi detido em Itapema, no Litoral Norte, sendo o único preso na operação nesta manhã. Em 2022, ele foi candidato a deputado federal pelo PSB, mas recebeu apenas 437 votos e não foi eleito. A empresa de Spinelli venceu licitações para shows tradicionais em municípios catarinenses. Nas redes sociais, o investigado mostrava a rotina com a família e o trabalho ao lado de artistas nacionais, como Eduardo Costa, Israel & Rodolfo e João Neto & Frederico.
Esquema de fraudes e propina
Segundo o MPSC, os suspeitos estruturaram um esquema para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional. Além das fraudes, os envolvidos são suspeitos de pagamento e recebimento de propina para viabilizar o esquema e de lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos com as irregularidades. Empresários e políticos são investigados por fraudes na contratação de shows.
Origem do nome "Pão e Circo"
A operação recebeu esse nome em referência à política dos imperadores romanos, que buscavam controlar a plebe por meio da distribuição de trigo (pão) e da oferta de espetáculos públicos (circo), desviando a atenção dos problemas sociais e políticos enquanto a nobreza desfrutava de privilégios e poder.



