Gaeco mira núcleo financeiro e tribunal do crime do PCC em SP
Gaeco mira núcleo financeiro e tribunal do crime do PCC

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagrou nesta terça-feira (21) a Operação Janus, com 18 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão contra suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação mira duas frentes da facção: o núcleo financeiro e o chamado “tribunal do crime”, além da rede de apoio a notórios integrantes, como Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, capturado em agosto de 2024 na Operação Salus et Dignitas.

Esquema de movimentação financeira

Batizada de Operação Janus – referência à divindade romana associada às passagens e transições –, a ofensiva mira suspeitos de movimentar recursos do PCC por meio de entregas volumosas de dinheiro em espécie, transferências bancárias e uso de empresas e contas ‘laranjas’. A investigação também aponta que parte dos alvos participava de reuniões para resolver disputas patrimoniais entre integrantes da facção, conhecidas como “tribunais do crime”.

Bloqueio de bens e ativos

Além das prisões e buscas, a Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores determinou o bloqueio de contas, aplicações financeiras, imóveis, veículos e outros bens dos investigados. Foram bloqueados ativos financeiros de até R$ 10 milhões por alvo e impostas restrições patrimoniais a empresas apontadas como parte da estrutura financeira do PCC.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Alvos da Operação Janus

Os alvos de prisão incluem: Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza, Antonio Carlos Ubaldo Junior, Paulo Rogério Silva (Paulo Barão), Odair Alves da Silveira Filho, Leonardo Meirelles, Marlon Antonio Fontana, Bruno Ramos Fernandes, Meire Bomfim da Silva Poza, Leonardo Monteiro Moja (Léo do Moinho), Danillo Vinicius da Silva Rosário, André de Souza Haddad (Minhoca), Antonio Carlos Sampaio (Kaka, Dakar ou Compadre), Alexandre Viriato da Silva (Gordão), Alexandre Salles Brito (Buiu), Raphael Flores Rodriguez (Batata), Amjad Ahmad (Amin) e Marcelo de Morais Oliveira. O Estadão busca contato com a defesa de todos os citados.

Desdobramento de operações anteriores

A Operação Janus é um desdobramento das operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas. Segundo o Gaeco, a nova fase foi deflagrada a partir da análise de celulares apreendidos nessas investigações, que revelou a atuação coordenada dos suspeitos em um esquema voltado à sustentação financeira da facção. As apurações tiveram origem, sobretudo, em elementos reunidos na Operação Recidere, que identificou um esquema de corrupção ativa e passiva, fraude processual, lavagem de dinheiro e interferência em investigações envolvendo integrantes do PCC. De acordo com o Ministério Público, os investigados também atuavam para corromper policiais civis e militares.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar