Petróleo sobe 2% e fecha acima de US$ 90 com tensões no Oriente Médio
Petróleo sobe 2% e fecha acima de US$ 90 com tensões

O petróleo Brent, referência internacional, fechou em alta de 2,1% nesta terça-feira (21), cotado a US$ 90,25 o barril, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela expectativa de cortes na oferta da Opep+. O avanço ocorre em meio a temores de que o conflito entre Israel e o Hamas possa se espalhar para outras regiões produtoras, como o Irã.

Tensões no Oriente Médio elevam prêmio de risco

O mercado de petróleo reagiu às declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que afirmou que as operações militares em Gaza continuarão até que os objetivos sejam alcançados. Analistas do Goldman Sachs destacaram que o prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo aumentou significativamente, podendo adicionar até US$ 10 por barril em caso de escalada do conflito.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o mercado global de petróleo enfrenta um déficit de oferta no segundo semestre de 2026, com a demanda superando a produção em cerca de 1,2 milhão de barris por dia. A Opep+ mantém cortes voluntários de 2,2 milhões de barris por dia, e a Arábia Saudita sinalizou que pode estender as reduções para além de setembro.

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Impacto nos preços e perspectivas

O petróleo WTI, referência americana, também subiu 2,3%, para US$ 86,85 o barril. A alta foi impulsionada por dados positivos da economia chinesa, que indicam aumento da demanda por combustíveis. O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5,3% no segundo trimestre, acima das expectativas do mercado.

O presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Jerome Powell, afirmou que a política monetária permanecerá restritiva até que a inflação atinja a meta de 2%, o que pode moderar o crescimento econômico e a demanda por petróleo. No entanto, analistas do Bank of America projetam que o Brent pode atingir US$ 95 o barril até o final do ano, caso as tensões geopolíticas persistam.

Reação do mercado e perspectivas para a Opep+

A Opep+ realiza reunião em 5 de agosto para discutir a política de produção. A Arábia Saudita, líder do grupo, tem defendido a manutenção dos cortes para sustentar os preços. O ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, disse que o grupo está preparado para agir de forma proativa para equilibrar o mercado.

“A Opep+ continuará monitorando de perto as condições do mercado e tomará as medidas necessárias para garantir a estabilidade”, afirmou o príncipe em comunicado. O mercado espera que a organização mantenha os cortes atuais, evitando um excesso de oferta que poderia pressionar os preços para baixo.

No Brasil, a Petrobras ainda não anunciou reajuste nos preços dos combustíveis, mas a alta do petróleo pode pressionar a estatal a elevar a gasolina e o diesel nas refinarias. A defasagem em relação ao mercado internacional é estimada em cerca de 5% para a gasolina e 10% para o diesel, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

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