O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Santa Catarina, deflagrou na manhã desta quarta-feira (29) a operação 'Catilina' para investigar a suspeita de infiltração de uma facção criminosa no cenário político de Itapoá, município do Litoral Norte catarinense. A ação cumpre oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados a três investigados, todos na própria cidade.
Coação de eleitores e ameaças a opositores
Segundo as investigações, moradores de comunidades sob influência da organização criminosa foram coagidos a manifestar apoio público a candidatos específicos. Além disso, opositores políticos teriam sido intimidados e ameaçados. O Ministério Público afirma que 'há indícios da atuação de uma organização criminosa com o objetivo de influenciar o processo político local, mediante apoio a determinados candidatos e ações destinadas a consolidarem o domínio territorial da facção no município'.
Distribuição de benefícios e vínculos suspeitos
A investigação teve início a partir de relatos encaminhados à 1ª Promotoria de Justiça de Itapoá. Conforme apurado, os suspeitos teriam distribuído benefícios e auxílios em comunidades controladas pela facção, com o intuito de angariar apoio eleitoral. Também há suspeitas de que os investigados mantinham vínculos entre agentes políticos, empreendimentos privados e membros da organização criminosa, formando uma estrutura dedicada a fortalecer os interesses do grupo.
Itapoá é a cidade com a maior faixa litorânea de Santa Catarina, com 32 quilômetros de costa, e faz divisa com o Paraná. A população é de cerca de 30 mil habitantes.
Próximos passos da operação
Os materiais apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica para perícia. As evidências coletadas serão analisadas pelo Gaeco, que dará continuidade às investigações para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos. O g1 tenta contato com a administração municipal de Itapoá para esclarecimentos.



