O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que os feminicídios bateram recorde em 2025, enquanto a taxa de assassinatos no país caiu para o menor patamar desde 2012.
Feminicídios em alta
Pelo sétimo ano consecutivo, o Amapá lidera a taxa de mortes causadas por policiais. Em 2025, foram 17,1 mortes para cada 100 mil habitantes — índice 4,5 vezes maior que a média nacional, que registrou 6.583 mortes, um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior. Proporcionalmente, o estado registrou cerca de 1,4 mortes por mês para cada 100 mil habitantes.
O levantamento do FBSP reúne dados sobre homicídios, letalidade policial, violência contra mulheres, crianças e adolescentes, comparando registros das secretarias estaduais.
Resposta do governo estadual
O secretário de Justiça e Segurança Pública do Amapá, Cezar Vieira, questionou a classificação das intervenções policiais como homicídio. “O anuário acrescenta as intervenções policiais ao crime de homicídio. Eu não posso classificar o operador da segurança pública como homicida. Ele cumpre uma função constitucional e legal, respaldado juridicamente e pela sociedade, para defender — inclusive com a própria vida, caso seja necessário”, afirmou Vieira.
Segundo Vieira, os dados da secretaria mostram redução. “Em 2023, entre janeiro e julho, tivemos 108 intervenções. Em 2026, no mesmo período, foram 65. Estamos buscando reduzir as ocorrências com investimentos em infraestrutura, capacitação e aperfeiçoamento. Isso nos coloca em um cenário de agir sem a necessidade da intervenção”, explicou.
Diferenças metodológicas
O FBSP utiliza a categoria Mortes Violentas Intencionais (MVI) para comparações nacionais, enquanto as secretarias estaduais adotam Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), com definição mais restrita. A Segurança Pública define as intervenções policiais como resposta a agressões, quando agentes reagem a disparos ou ataques, principalmente contra o crime organizado.
Cenário nacional
No Brasil, as mortes provocadas por policiais em serviço cresceram 5,4% em 2025, totalizando 6.602 vítimas — o maior número absoluto desde 2016. As mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) já representam 16,2% de todas as mortes violentas intencionais (MVI) registradas no país, a maior participação desde 2014. Entre 2016 e 2025, o crescimento acumulado foi de 55,7%.
Amapá: o estado mais violento
Apesar de uma redução de 6% na taxa de violência de 2024 para 2025 (de 45,2 para 42,5 mortes por 100 mil habitantes), o Amapá se mantém como o estado mais violento do país. Santana tem a maior taxa de mortes violentas intencionais: 47,1 por 100 mil habitantes em 2025, embora tenha caído de 54,1 em 2024. Macapá aparece em seguida, com 36,1.
Vieira afirma que as forças de segurança atuam de forma integrada e que há migração de criminosos para cidades como Santana. “Nos últimos meses tivemos um acréscimo de mais de R$ 4 milhões em investimentos para essas operações. O trabalho é feito de forma preventiva e repressiva no combate à criminalidade em Santana e em outros municípios. Usamos recursos de inteligência para adaptar as ações e concentrar esforços. Quando o combate é mais efetivo em Macapá, a criminalidade recua, mas tende a migrar para outras cidades”, destacou.
“A Segurança Pública impede que grupos criminosos estabeleçam domínios territoriais e assumam áreas como se fossem donos. No Amapá, há sensação de segurança e confiança da população nos agentes, pelo trabalho que vem sendo desenvolvido”, concluiu Cezar Vieira.



