Feminicídios bateram recorde no Brasil em 2025, com quatro mulheres mortas por dia, em média, enquanto a taxa geral de assassinatos caiu para o menor nível desde 2012, segundo o Anuário de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O Brasil registrou 40.775 vítimas de mortes violentas intencionais em 2025, uma queda de 8% em relação a 2024. Pela primeira vez, a taxa de mortes violentas ficou abaixo de 20 por 100 mil habitantes, atingindo 19,1 — o menor número da série histórica do levantamento.
Ranking das cidades menos violentas
As dez cidades com menores taxas de mortes violentas estão divididas entre São Paulo (sete municípios) e Santa Catarina (três). A liderança é de São Caetano do Sul (SP), com 1,2 morte a cada 100 mil habitantes, seguida por Tubarão (SC), com 1,7, e Salto (SP), com 2,1. Outros destaques são Santa Bárbara d'Oeste (SP, 2,1), Jandira (SP, 2,5), Blumenau (SC, 2,6), Jaraguá do Sul (SC, 3), Indaiatuba (SP, 3), Valinhos (SP, 3) e Itatiba (SP, 3,1).
David Marques, gerente de programas do FBSP, avalia que São Paulo é um exemplo de "redução profunda e muito significativa" nas taxas de crimes violentos desde os anos 2000, enquanto Santa Catarina se beneficia do tamanho do território e de políticas de segurança. "São bons indicativos. O caso de São Paulo é muito bem conhecido já, mas o caso de Santa Catarina pode ser mais bem explorado, mais bem conhecido do ponto de vista da política de segurança pública, do contexto criminal, das dinâmicas criminais organizadas, que podem ajudar a iluminar alguns caminhos possíveis também para o restante do país", afirma.
Cidades mais violentas concentram-se no Nordeste
Na contramão, todas as dez cidades com maiores taxas de mortes violentas estão no Nordeste. Metade delas na Bahia, três no Ceará, uma em Pernambuco e uma na Paraíba. Maranguape (CE) mantém a liderança pelo segundo ano consecutivo, com 100,3 mortes por 100 mil habitantes, ante 80 por 100 mil em 2024. Em seguida aparecem Eunápolis (BA, 85,1), Maracanaú (CE, 80,7), Porto Seguro (BA, 71,2) e Simões Filho (BA, 68,1).
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) afirmou que os investimentos realizados no último ano levaram à redução nos índices de crimes violentos no primeiro semestre de 2026. Em Maranguape, a diminuição foi de 97,4% comparado ao mesmo período de 2025; em Maracanaú, 90,9%; e em Caucaia, 56,8%.
Estados: Santa Catarina supera São Paulo
Entre os estados, Santa Catarina passou a ter a menor taxa de mortes violentas do país: 7,6 por 100 mil habitantes, superando São Paulo, que registrou 7,8. No total, 19 estados e o Distrito Federal tiveram queda nas taxas, enquanto sete apresentaram alta. O Amapá continua como o estado mais violento, com 42,5 mortes por 100 mil, apesar de uma redução de 6%.
Outros indicadores de violência
O anuário também revela aumentos significativos em outros crimes: violência psicológica contra a mulher cresceu 17%, stalking 30%, descumprimento de medida protetiva 17% e ameaças 0,5%. Foram registradas três tentativas de feminicídio para cada crime consumado.
Mortes cometidas por policiais aumentaram 5% em 2025, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%. Registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%. Casos de bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% entre jovens, após a criação de tipo penal específico em 2024.
O número de adolescentes em medidas socioeducativas caiu 54% em nove anos, totalizando 12,2 mil jovens — a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). Já a população prisional cresceu 6%, chegando a 964 mil pessoas; a tendência indica que o Brasil pode atingir 1 milhão de presos em 2027. Há 2,1 milhões de pessoas e empresas autorizadas a ter armas, das quais 1 milhão são CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores), e 1,6 milhão de armas cadastradas, sendo que três em cada dez estão com registro vencido.
O levantamento completo com as taxas dos 338 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes pode ser consultado no site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.



