A família de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, denuncia descaso após ele morrer na sala de espera da UPA do Recanto das Emas, no Distrito Federal, no sábado (20). Segundo testemunhas, Vilmar chegou em uma cadeira de rodas e permaneceu no local por cerca de quatro horas sem receber atendimento. A falta de movimentos chamou a atenção de outros pacientes, e a morte foi constatada pela enfermeira Mayela Lima, que não fazia parte da equipe da UPA e estava no local em busca de atendimento para a filha.
Relato da família
As filhas de Vilmar, Eveylye e Emily Pereira, afirmam que o pai tinha problema com álcool e vivia em situação de rua, apesar de receber assistência da família. Ele já havia buscado atendimento na UPA em outras ocasiões. "Infelizmente, todas as vezes que ele foi internado, a gente via de perto o descaso, a forma como tratavam o meu pai. Às vezes, a gente pedia um acessório e, como era meu pai, eles falavam que tinha que esperar. 'Já vou lá, não era nem para ele estar aqui, isso não é caso de ficar internado aqui'", diz Eveylye Pereira.
Emily Pereira conta que, nas ocasiões em que o pai passou mal, o SAMU o encaminhou para a UPA. "O que eles falavam para gente é que eles podiam tratar a causa [pela qual] ele chegou lá. Do jeito que ele estava debilitado, eles tinham que internar meu pai", afirma.
Posicionamento do governo
Em nota no sábado, o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (Iges-DF) afirmou que estava "apurando as circunstâncias do óbito". Segundo a entidade, o homem não tinha ficha de atendimento aberta na UPA e não havia passado por triagem ou avaliação. Após a constatação da morte, a filha foi comunicada e recebeu atendimento da equipe de serviço social da UPA.
No domingo (21), a Secretaria de Saúde disse que "não será admitido e nem aceito qualquer indício de omissão ou ausência de atendimento a qualquer cidadão que busque assistência em nossa rede de saúde". "Embora [o paciente] não tenha sido registrado como paciente da unidade no momento do ocorrido, é fundamental esclarecer todos os fatos e verificar se os protocolos adotados foram adequados", acrescentou a pasta.
Em uma rede social, o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, afirmou que o homem "costumava pernoitar no local" e que pediu a abertura imediata de uma sindicância para apurar o caso. A governadora do DF, Celina Leão (PP), prestou solidariedade à família: "Já determinei à Secretaria de Saúde e ao Iges que apurem com rigor as circunstâncias do falecimento dele na unidade hospitalar e responsabilizem àqueles que não deram o adequado atendimento".
Nota do Iges-DF
O Iges-DF informou que está apurando as circunstâncias do óbito. A vítima, identificada como pessoa em situação de rua, não possuía ficha de atendimento aberta na unidade e não havia passado por classificação de risco ou avaliação assistencial. Por volta das 14h30, a equipe assistencial foi acionada por pessoas que estavam no local. Profissionais de saúde realizaram avaliação imediata e constataram ausência de sinais vitais. A Polícia Militar e a Polícia Civil do DF foram acionadas para os procedimentos legais. A filha do homem foi comunicada e recebeu acolhimento e orientações da equipe de Serviço Social.



