Família de homem morto após imobilização em bar de Uberlândia critica fiança
Família critica fiança após morte em imobilização em bar

A família de Flaviano Silva de Carvalho, de 43 anos, divulgou nesta quarta-feira (3) uma nota à imprensa expressando "dor e indignação" pela morte do homem após a contenção realizada por funcionários de um bar no Center Shopping, em Uberlândia. No texto, os familiares afirmam que ele enfrentava dificuldades com o álcool e problemas psicológicos, mas questionam a técnica utilizada durante a imobilização e criticam a liberação do gerente investigado mediante pagamento de fiança.

"A dor da família se soma à perplexidade diante da decisão de liberar o acusado mediante fiança de apenas R$ 4 mil. Para nós, esse valor não é apenas uma cifra: é o símbolo da desigualdade de um sistema que trata vidas de forma diferente conforme o poder aquisitivo e o status social", diz um trecho da nota. Os familiares ainda pediram que Flaviano não fosse lembrado apenas pelas dificuldades que enfrentava e defenderam que o caso provoque reflexão sobre a forma como pessoas em situação de vulnerabilidade são tratadas.

O caso

O incidente ocorreu na noite de sábado (30), no Point Barolo, localizado dentro do Center Shopping. Segundo a Polícia Militar (PM), testemunhas relataram que Flaviano foi contido após causar tumulto e ameaçar clientes do estabelecimento. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu apesar das tentativas de reanimação realizadas por equipes de socorro.

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Imagens que circularam nas redes sociais mostraram a imobilização por parte do gerente, semelhante ao golpe conhecido como "mata-leão". Alysson de Faria Elias, de 48 anos, foi preso em flagrante e autuado por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. Ele foi liberado após pagamento de fiança.

Ainda de acordo com a PM, a ocorrência começou após seguranças do shopping acionarem a corporação para atender uma confusão dentro do estabelecimento. Testemunhas relataram que Flaviano apresentava comportamento agressivo e estaria tentando arremessar cadeiras contra clientes. Quando os policiais chegaram, o homem já estava imobilizado e sob contenção do gerente. Ao tentarem colocá-lo de pé, os militares perceberam que ele estava inconsciente e não respondia a estímulos.

Conforme registrado pela PM, o gerente informou que utilizou uma técnica de contenção envolvendo a região do pescoço devido ao elevado grau de agitação de Flaviano. Depois disso, ele foi mantido imobilizado no chão até a chegada da polícia. Equipes da brigada do shopping e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram chamadas e realizaram manobras de reanimação por cerca de 55 minutos, mas a vítima não resistiu. A morte foi confirmada ainda no local.

O que diz a defesa do gerente

O advogado de defesa Neto Caixeta, que representa o gerente do bar, informou ao g1 que aguarda a conclusão das investigações e que já havia se manifestado em nota anterior, não tendo nada a acrescentar. Na nota, a defesa afirma que acompanha com serenidade o procedimento instaurado para apuração dos fatos. Alysson permaneceu no local após o fato, prestando esclarecimentos e colaborando com a polícia. A defesa entende que os elementos indicam que Alysson agiu em contexto de legítima defesa própria e de terceiros, diante de uma situação que representava risco concreto à integridade física das pessoas no local.

O que disse o shopping

O Point Barolo e o Center Shopping, em nota unificada, informaram que as equipes de segurança e brigada foram acionadas para prestar os primeiros atendimentos e que a Polícia Militar e o Samu assumiram a ocorrência em seguida. "A Polícia Militar e o Samu foram imediatamente acionados, assumindo a condução no local. O shopping se solidariza com a família e presta o apoio necessário, à disposição também para colaborar com as autoridades", completa o comunicado.

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