O ex-secretário de Esportes e Lazer de Calumbi, no Sertão de Pernambuco, Numeriano Luiz de Sá, será submetido a júri popular pela tentativa de feminicídio contra a esposa, Luísa Barros. A decisão foi anunciada pelo juiz Rodrigo Ramos na primeira audiência do caso, realizada na terça-feira (21) na 3ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum Thomaz de Aquino, no Recife. Ainda não há data definida para o julgamento.
Detalhes do crime
O crime ocorreu em 9 de dezembro de 2025, no apartamento do casal no Edifício Alfredo Bandeira, na Rua da Aurora, bairro de Santo Amaro, Centro do Recife. Na ocasião, Numeriano, sargento reformado da Polícia Militar, agrediu Luísa com um bastão de madeira enquanto ela se abaixava para pegar um remédio para tratamento de câncer no fígado. A vítima sofreu múltiplas fraturas na cabeça e no rosto, quebrou o nariz, perdeu dois dentes e recebeu 40 pontos no rosto, além de ter passado por cirurgia de reconstrução facial.
Resgate e prisão
Luísa foi resgatada por um vizinho, o jornalista Márcio Santos, que ouviu os gritos de socorro. Ele correu para o apartamento, separou o casal e levou a vítima para um local seguro até a chegada da polícia. Numeriano foi preso em flagrante no local e teve sua arma apreendida. Três dias após o crime, foi exonerado do cargo de secretário municipal. Atualmente, está preso no Centro de Reeducação da Polícia Militar (Creed), em Abreu e Lima, no Grande Recife.
Depoimentos e busca por justiça
Na audiência, Luísa Barros foi a primeira a depor, falando por cerca de duas horas. Em entrevista à TV Globo, ela declarou: "Para mim, está sendo desafiador, que eu tenho que relatar tudo, como aconteceu. Eu o amava, acreditava nele, e tudo aconteceu de uma forma que eu jamais imaginei. Eu tenho toda confiança, porque foi um crime, um crime bárbaro, ele foi cruel, ele foi perverso, ele foi covarde. E a justiça, com fé em Deus, será feita." Ela também manifestou medo: "Eu temo pela minha segurança e a segurança de meus filhos e peço a justiça que não solte a minha mão nem de todas as mulheres que passam por isso."
A advogada da vítima, Manuela Magalhães, afirmou que o agressor não aceitava não ter controle dos bens da ex-esposa, com quem foi casado por 22 anos. Luísa é viúva de um primeiro casamento e possui renda própria.
Testemunhas e andamento processual
Além da vítima, Numeriano também foi ouvido por videoconferência diretamente do presídio. Foram colhidos depoimentos de 14 pessoas: seis testemunhas de defesa e oito apresentadas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), autor da denúncia. O caso segue agora para o Tribunal do Júri, onde será julgado.



