Operação Carrasco: ex-secretária e veterinários são presos por eutanásias irregulares
A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (15) a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, e dois veterinários suspeitos de realizar eutanásias em animais sem motivo aparente. A ação faz parte da segunda fase da Operação Carrasco, que investiga maus-tratos e morte de animais sob cuidados do instituto mantido por Paula.
Cadela Pedrita: arrecadação enquanto era condenada
Um dos casos mais chocantes descobertos pela polícia envolve a cadela Pedrita. Segundo as investigações, o Instituto Paula Lopes usou a imagem do animal nas redes sociais para pedir doações para tratamento veterinário, enquanto mensagens no celular da ex-secretária indicavam que ela já havia ordenado a eutanásia da cadela.
Em 31 de agosto de 2025, o instituto publicou uma foto de Pedrita pedindo contribuições para custear consulta e possível internação. No mesmo dia, mensagens trocadas entre Paula e uma veterinária sugeriam que a cadela deveria ser colocada "para descansar" – expressão que, para os investigadores, significava eutanásia. A veterinária mencionou suspeita de cinomose, doença grave mas tratável. Paula orientou que não fossem feitos exames e autorizou a eutanásia direta, sem testes.
Enquanto as mensagens eram trocadas, o instituto publicava: "Pelo amor, NÃO DEIXEM DE CONTRIBUIR. Só a consulta domingo, R$ 250, fora que vai ter que ficar internado". A polícia também aponta que Paula pediu à veterinária que não comentasse o caso com outra protetora envolvida no resgate.
Gato com esporotricose também foi sacrificado
Outro caso investigado é o de um gato encontrado no bairro Partenon, em Porto Alegre, com esporotricose – doença de pele que também tem tratamento. Nas mensagens, Paula teria escrito à veterinária: "Fazer o que tem que ser feito, se é que me entende". Para a polícia, a frase era uma ordem de eutanásia.
Segunda fase da Operação Carrasco
Além das três prisões, a Polícia Civil cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, incluindo três clínicas veterinárias e um crematório de animais. O celular de uma policial civil também foi apreendido, suspeita de vazar informações da primeira fase da investigação para Paula Lopes.
A defesa de Paula Lopes foi procurada, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.



