Na noite do sábado, 1º de agosto de 2026, a cantora Simone subiu ao palco do Tokio Marine Hall, em São Paulo (SP), para a estreia nacional do show “Que mulher é essa?”. Com direção musical de Ana Frango Elétrico e direção artística do estilista Ronaldo Fraga, a apresentação reuniu um roteiro de 22 músicas em um passeio por diferentes gerações da canção brasileira.
Direção e repertório
O show orquestrado por Simone tem na direção musical de Ana Frango Elétrico um dos seus pontos altos. Não por acaso, Ana também está presente no repertório: “Mulher homem bicho” (2020), parceria com Ava Rocha, abre espaço para uma sonoridade que remete ao pop sensual e tropical explorado por Rita Lee e Roberto de Carvalho entre 1979 e 1983. Essa referência se faz presente ainda no medley que une “Cor de rosa choque” (1979) e “Bem me quer” (1980), duas canções do casal.
Entre as surpresas da noite, “Quando eu te conheci”, de Dona Onete, ganhou lugar de destaque. A música integra o álbum “Banzeiro” (2016) e foi gravada pela cantora paraense há exatos dez anos. No show, ela aparece em meio a clássicos de Belchior, como “Velha roupa colorida” (1976), e de Caetano Veloso, com “Baby” (1968). O repertório também inclui “Grávida” (1991), de Marina Lima e Arnaldo Antunes, e “Migalhas” (2009), de Erasmo Carlos, além de “Se você pensa” (1968), parceria de Erasmo com Roberto Carlos que abre a apresentação.
As 22 músicas do show
Na estreia em São Paulo, Simone seguiu a seguinte ordem de músicas:
- “Se você pensa” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968)
- “Petúnia resedá” (Gonzaguinha, 1978)
- “Velha roupa colorida” (Belchior, 1976)
- “Face a face” (Sueli Costa e Cacaso, 1977)
- “Morena” (Dalto, 1973)
- “Embarcação” (Francis Hime e Chico Buarque, 1982)
- “Quando eu te conheci” (Dona Onete, 2016)
- “Sob medida” (Chico Buarque, 1979)
- “Iolanda” (Pablo Milanés, 1970, em versão em português de Chico Buarque, 1984)
- “Migalhas” (Erasmo Carlos, 2009)
- “Jura secreta” (Sueli Costa e Abel Silva, 1977)
- “Baby” (Caetano Veloso, 1968)
- “Mulher homem bicho” (Ana Frango Elétrico e Ava Rocha, 2020)
- “Grávida” (Marina Lima e Arnaldo Antunes, 1991)
- “Eu nem ligo” (Gonzaguinha, 1975)
- “Cor de rosa choque” (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1979)
- “Bem me quer” (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1980)
- “Tudo que você podia ser” (Lô Borges e Márcio Borges, 1972)
- “Quando eu estiver cantando” (João Rebouças e Cazuza, 1989)
- “Maria Maria” (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976)
- “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós” (Niltinho Tristeza, Preto Joia, Vicentinho e Jurandir, 1988) – samba-enredo da União da Ilha do Governador no Carnaval de 1989
- “O amanhã” (João Sérgio, 1977) – samba-enredo da União da Ilha do Governador no Carnaval de 1978
Destaques do roteiro
A seleção musical evidencia a pluralidade do cancioneiro nacional. “Petúnia resedá” e “Eu nem ligo” representam Gonzaguinha em duas fases distintas, enquanto “Face a face” e “Jura secreta” reafirmam a parceria de Sueli Costa com Cacaso e Abel Silva, respectivamente. Já “Embarcação” e “Sob medida” mostram a força da união entre Chico Buarque e seus parceiros, Francis Hime e o próprio Chico.
O encerramento da noite ficou por conta de dois sambas-enredo da União da Ilha do Governador: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós”, de 1988, e “O amanhã”, de 1977. As escolhas deram ao show uma dimensão política e carnavalesca, em sintonia com a trajetória de Simone.
Estreia nacional
Com 22 músicas no total, a apresentação no Tokio Marine Hall marcou o início da turnê nacional de “Que mulher é essa?”. A produção do espetáculo ainda não divulgou as próximas datas, mas a repercussão da estreia em São Paulo deve impulsionar a agenda do show nas próximas semanas.



