Brasileiros dopavam mulheres da família e vendiam vídeos de abuso
Brasileiros dopavam mulheres da família e vendiam vídeos

Uma investigação internacional coordenada pela Polícia Federal identificou ao menos cinco brasileiros suspeitos de integrar uma rede criminosa que dopava mulheres da própria família, cometia abusos sexuais e vendia os vídeos dos crimes na internet. Quatro suspeitos estão presos e um responde em liberdade, conforme Flávio Rolim, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da PF.

Como funcionava o esquema

Segundo as investigações, as vítimas eram drogadas com medicamentos, inclusive de prescrição restrita, para ficarem incapazes de resistir. As cenas dos abusos eram gravadas e posteriormente vendidas em sites na internet ou em aplicativos de mensagens. O caso brasileiro tem semelhanças com o da francesa Gisele Pelicot, que foi dopada pelo próprio marido e depois abusada por ele e por outros homens.

“A vítima não espera que a agressão venha daquela pessoa. Ela é colocada, na verdade, em uma absoluta incapacidade de resistir e de tomar conhecimento de que ela foi vítima daquele crime”, disse Rolim.

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Alerta da Europol e atuação internacional

O inquérito da Polícia Federal começou no ano passado depois de um alerta da Europol, agência da União Europeia para cooperação policial. A polícia alemã foi a primeira a descobrir as atividades dos abusadores e percebeu que o grupo atuava em mais oito países, incluindo o Brasil.

A identidade dos suspeitos não foi revelada para evitar a exposição das vítimas, que tinham ligações públicas com os criminosos. Um dos investigados, apontado como um dos chefes do esquema e que abusava de pessoas da própria família, foi preso em fevereiro. Foi a partir de mensagens trocadas com ele que a polícia descobriu a participação de outros brasileiros.

Manual da dopagem

De acordo com Rolim, um dos brasileiros desenvolvia uma espécie de manual sobre como ministrar os medicamentos. “Existia um brasileiro que desenvolvia uma espécie de manual a respeito de como essas medicações deveriam ser ministradas, quais eram as medicações que tinham um efeito mais contundente na vítima”, explicou. A troca de mensagens mostra ainda que os criminosos combinavam os remédios com bebidas alcoólicas.

Em conversas obtidas pela investigação, um marido pergunta ao suspeito: “É raro ela beber muito. Qual antidepressivo tu recomenda?” O suspeito responde: “Mas ele dá um trabalho pra triturar, e tem que misturar em outra coisa além de cerveja.”

A vítima desse marido afirmou: “Eu não sabia que tomava bebidas alcoólica com medicamentos controlados.” O homem foi preso nesta semana e confessou os crimes. Questionado sobre o uso de medicamentos com a esposa, respondeu: “Peguei quatro [medicamentos], triturei, misturei em um copo com água e dei pra ela tomar”.

Venda dos vídeos de abuso

As conversas também mostram como os vídeos eram negociados. Em uma delas, o suspeito de chefiar o esquema pergunta: “Queria saber os preços?” Um participante responde: “A partir de 59.” O suspeito indaga: “59, é um vídeo?” E o participante diz: “Até 5 vídeos e fotos”.

Segundo a polícia, esse homem, que também foi preso, dopava e abusava da atual e da ex-companheira. Uma delas contou: “Eu sempre via calmantes nos pertences do meu namorado. Ele afirmava que tinha dificuldade pra dormir e que os medicamentos eram dados pela mãe”.

Perfil dos investigados

Até este momento, cinco homens foram identificados: quatro estão presos e um responde em liberdade. Eles são dos estados do Pará, Ceará, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Com o material apreendido, a Polícia Federal já sabe que existem outros abusadores brasileiros que fazem parte desse esquema internacional. “É um crime novo que se está praticando e que tá deixando até mesmo os policiais que estão acostumados com crimes chocados”, afirmou Davi Jacobs de Souza, chefe da Delegacia de Crimes Cibernéticos da PF/RS.

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