A ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, foi presa na manhã desta segunda-feira (15) durante a segunda fase da operação Carrasco, que investiga um esquema de eutanásia sem justificativa contra cães e gatos resgatados. A detenção ocorreu por volta das 6h na sede do instituto que leva seu nome, localizado na zona Sul de Porto Alegre.
Dois veterinários que teriam apoiado Paula no esquema também foram detidos. São eles: Tainara Harth, que era a responsável técnica pela secretaria de Canoas durante a gestão de Paula, e Marcos Vinicius Jenisch, que possui uma clínica em Porto Alegre. Eles são suspeitos de maus-tratos e associação criminosa. Outros três veterinários tiveram seus passaportes apreendidos por decisão judicial e agora estão impedidos de deixar o país. O marido de Paula também teve o passaporte recolhido.
A polícia cumpre 12 mandados de busca e apreensão. Três deles são em clínicas veterinárias onde teriam ocorrido as eutanásias a mando de Paula. Uma policial civil que teria vazado informações sigilosas da primeira fase da operação para Paula e auxiliado com laudos falsos é alvo de dois mandados de busca: um em sua casa e outro na sala da delegacia onde trabalha, em Porto Alegre.
Paula e Tainara já haviam sido indiciadas na primeira fase da operação Carrasco. Na ocasião, a polícia identificou que pelo menos 498 animais foram mortos em oito meses de administração de Paula na Secretaria de Bem-Estar Animal, caracterizando uma "matança desmedida", conforme a investigação. A delegada Luciane Bertoletti afirma que agora a polícia avançou na investigação, analisando contas bancárias e celulares apreendidos na primeira fase. "É uma verdadeira assassina em série, uma serial killer de animais", declarou Bertoletti.
A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados, a suspensão dos perfis em redes sociais de Paula Lopes e de um podcast que ela produzia, além da nomeação de um interventor para o Instituto Paula Lopes, após a avaliação dos animais. Os mandados foram solicitados pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, com aval do Ministério Público, e determinados pela 1ª Vara Regional de Garantias de Porto Alegre. A investigação policial contou com a colaboração da Rede de Proteção Ambiental e Animal (Reprass). O g1 procurou a defesa de Paula, Tainara e Marcos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.



