Os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma lista de 60 países que não combatem adequadamente o trabalho forçado. A medida, anunciada nesta semana, já era esperada por integrantes do governo brasileiro, que preveem a imposição de uma sobretaxa sobre produtos brasileiros.
Sobretaxa pode chegar a 37,5%
Nos bastidores, fontes do governo indicam que a nova taxa será somada aos 25% já anunciados na segunda-feira (1°). Com isso, a sobretaxa total passaria para 37,5%, valor próximo aos 40% impostos no ano passado. A estratégia de defesa do Brasil deve seguir o mesmo caminho adotado anteriormente: diálogo com os Estados Unidos até o prazo final da investigação.
Defesa técnica apresentada em abril
Em abril, o Brasil apresentou uma defesa considerada técnica pela diplomacia, destacando os avanços no combate ao trabalho escravo. Entre os pontos citados estão a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, em 2003, e a implementação da chamada “Lista Suja”, que impede empregadores flagrados explorando mão de obra escrava de obter financiamentos em bancos públicos.
Reunião em Paris pode ser decisiva
Nesta quarta-feira (3), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa de um evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. No mesmo evento estará o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. Embora ainda não haja reunião oficial agendada, fontes próximas ao ministro afirmam que Vieira tentará um encontro com Greer para discutir a questão.
A inclusão do Brasil na lista representa mais um desafio para as relações comerciais entre os dois países, que já enfrentam tensões tarifárias. O governo brasileiro espera que a via diplomática possa evitar sanções mais severas.



