Classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA acende alerta no Brasil
EUA classificam PCC e CV como terroristas; Brasil monitora efeitos

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas entra em vigor nesta sexta-feira (5) e gerou um alerta imediato no governo brasileiro. A medida, anunciada pela administração Trump, acendeu um sinal de atenção em Brasília, que agora monitora de perto os desdobramentos.

Cenários possíveis

Nos bastidores, diplomatas e integrantes da área de segurança ouvidos pelo blog analisam três cenários possíveis. O primeiro, mais brando, sugere que a medida pode ter um efeito predominantemente político e simbólico, funcionando como um gesto para a opinião pública americana, sem consequências práticas relevantes para o Brasil.

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O segundo cenário toma como referência a situação da Venezuela. Integrantes do governo lembram que, em outros casos, a administração Trump escalou o enfrentamento ao narcotráfico com apreensão de ativos, bloqueios financeiros e até ações contra embarcações apontadas como ligadas ao crime organizado.

O terceiro cenário é o que mais preocupa parte do governo brasileiro. Há receio de que se repita o modelo adotado contra instituições financeiras mexicanas. Naquele caso, os Estados Unidos aplicaram sanções contra bancos acusados de facilitar operações de lavagem de dinheiro para cartéis do narcotráfico. O temor é que a classificação abra caminho para medidas financeiras contra pessoas físicas, empresas ou estruturas suspeitas de dar suporte econômico a organizações criminosas.

Preocupação com o futuro

Um diplomata resumiu a preocupação da seguinte forma: “O receio não é a decisão de hoje. O receio é o que ela pode autorizar amanhã.” Para integrantes do governo, os riscos são comparáveis aos da aplicação da Lei Magnitsky a autoridades brasileiras. Por isso, o governo brasileiro intensificou a interlocução com autoridades americanas e busca canais de diálogo para entender quais serão os efeitos concretos da medida.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que os argumentos dos EUA para aplicar tarifas ao Brasil “não são legítimos”. A avaliação interna é que, diferentemente da guerra tarifária, este é um tema que envolve segurança, sistema financeiro e soberania nacional e, por isso, tem potencial de produzir consequências muito mais complexas.

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