Especialistas sugerem ações para segurança pública
Especialistas sugerem ações para segurança

Em meio ao aumento da violência em diversas regiões do país, um grupo de especialistas em segurança pública apresentou um conjunto de propostas para enfrentar a crise. As sugestões foram divulgadas durante um seminário realizado em Brasília, nesta quinta-feira, e incluem desde a integração de sistemas de informação até o fortalecimento da polícia científica.

Integração de dados e inteligência

Uma das principais recomendações é a criação de um sistema nacional unificado de dados criminais. Segundo o pesquisador João Pedro Silva, do Instituto de Segurança Pública, a falta de compartilhamento de informações entre estados e municípios dificulta a atuação das forças policiais. "Hoje, cada estado tem seu próprio banco de dados, muitas vezes incompatíveis entre si. Isso impede uma visão integrada do crime organizado", afirmou Silva.

Outra proposta é a ampliação do uso de inteligência artificial para análise de padrões criminais. A tecnologia poderia ajudar a prever áreas de maior risco e otimizar o patrulhamento. De acordo com o estudo, a implementação desse sistema poderia reduzir em até 15% os índices de roubo e furto em grandes centros urbanos.

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Fortalecimento da polícia científica

Os especialistas também defendem o aumento de investimentos na polícia científica. Atualmente, apenas 30% dos inquéritos policiais contam com laudos periciais, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A perita criminal Carla Mendes destacou a importância desse setor: "A perícia é fundamental para a elucidação de crimes e para a condenação de culpados. Sem ela, a impunidade prevalece".

Entre as medidas sugeridas estão a contratação de mais peritos, a modernização de laboratórios e a criação de um banco nacional de perfis genéticos. O custo estimado para essas ações seria de R$ 500 milhões ao ano, valor considerado viável pelos especialistas diante dos benefícios esperados.

Prevenção e políticas sociais

Além das medidas repressivas, o documento enfatiza a necessidade de políticas de prevenção à violência. Isso inclui programas de educação, geração de emprego e assistência social em comunidades vulneráveis. O sociólogo Marcos Oliveira, da Universidade de São Paulo, ressaltou que "a segurança pública não se faz apenas com polícia. É preciso atacar as causas da criminalidade, como a desigualdade social e a falta de oportunidades".

Os especialistas também sugerem a criação de um fundo nacional para segurança pública, com recursos provenientes de parte dos impostos sobre armas e munições. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores políticos que defendem o direito ao porte de armas.

Impacto esperado

Se implementadas, as medidas poderiam reduzir a taxa de homicídios em até 20% em cinco anos, segundo projeções do grupo. Atualmente, o Brasil registra cerca de 40 mil homicídios por ano, uma das maiores taxas do mundo. A expectativa é que as propostas sejam encaminhadas ao Congresso Nacional e aos governos estaduais para debate.

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