Relatório final do Cenipa revela causas do acidente da Voepass
A Força Aérea Brasileira, por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgou na quinta-feira (23) o relatório final da investigação sobre a queda do avião da Voepass, ocorrida em 2024 em Vinhedo (SP). O acidente resultou na morte de 62 pessoas. O documento aponta que a causa principal foi o acúmulo de gelo nas asas sob condições meteorológicas extremas, agravado por uma série de falhas operacionais e de fiscalização.
Falhas no sistema de degelo e alertas ignorados
Segundo o relatório, o sistema de degelo da aeronave apresentava problemas não registrados nos manuais de manutenção. Além disso, a tripulação ignorou alertas de formação de gelo emitidos pelos instrumentos de bordo. O Cenipa destacou que a prática de não reportar panes era comum na empresa, caracterizando uma cultura de 'normalização de desvios'.
Deficiências na fiscalização e cultura organizacional
A investigação também apontou deficiências na fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre a Voepass. A empresa não relatava adequadamente as falhas técnicas, e os pilotos não seguiam os procedimentos padrão em condições de gelo. O relatório conclui que o acidente poderia ter sido evitado se houvesse maior rigor na manutenção e no cumprimento dos protocolos de segurança.
Impacto e recomendações
A queda do avião da Voepass, que vitimou 62 pessoas, gerou comoção nacional e levou a Anac a intensificar a fiscalização sobre a empresa. O Cenipa recomendou a revisão dos procedimentos de degelo, o treinamento obrigatório de tripulações para condições meteorológicas adversas e a implementação de um sistema de reporte obrigatório de falhas. A Voepass, em nota, afirmou que está colaborando com as autoridades e implementando as medidas corretivas.



