A falta de leitos em hospitais de São Carlos (SP) está travando transferências e provocando superlotação nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), gerando longa espera e transtornos para pacientes e familiares. De acordo com a EPTV, afiliada da TV Globo, na manhã desta quinta-feira (2), 30 pessoas aguardavam nas UPAS por uma vaga pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).
Idosa espera 4 dias com fortes dores e é liberada após vaga de urgência
A secretária Denise Aparecida Bento está preocupada com a saúde da mãe, Marilza da Penha Bento, 74 anos, que está com fortes dores desde domingo (28), quando procurou atendimento na UPA da Santa Felícia. "Eles atenderam, fizeram exames e com as alterações, iniciaram alguns procedimentos e, na madrugada de terça-feira (30), colocaram o nome dela na Cross, disseram que ela estava com o potássio alto, o que poderia levar a uma arritmia e, consequentemente, óbito", explicou Denise. Uma infecção renal também foi identificada.
Marilza foi transferida à Santa Casa na manhã de quinta (2), mas, apesar das dores e do pé roxo, foi informada que estava no hospital para avaliação. "Era uma chamada vaga 0, se eles achassem que ela precisaria ficar, ficaria, mas decidiram, mesmo diante do quadro delicado dela, mandá-la para casa. Minha mãe está em casa com dor", afirmou a filha. Uma consulta para Marilza foi marcada para a manhã de sexta-feira (3), na Santa Casa. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a vaga zero é um recurso essencial para garantir acesso imediato a pacientes com risco de morte ou sofrimento intenso, devendo ser exceção, não prática cotidiana.
Pacientes aguardam dias em UPAs por transferência
A dona de casa Renata Barbosa não escondeu a preocupação com o filho João Gabriel, que aguardava na UPA da Vila Prado por transferência desde segunda-feira (29). Com vários problemas de saúde, ele sofre com infecções recorrentes após cirurgia na bexiga. "Tem que esperar pela vaga da regulação que não sai. Mesmo ele sendo especial, a gente sabe que tem um monte de gente precisando, mas a condição do João demanda muito porque ele está com o sistema de defesa baixo e pode pegar outro tipo de infecção estando deitado, sem estar tomando medicação nenhuma", disse Renata.
Joana Domingos Silva sofreu uma queda no domingo (28) e quebrou o braço. Desde então, ficou na UPA do Santa Felícia aguardando vaga pelo Cross. "Só sei que está quebrado, foi isso que eles falaram. Tem que encaminhar à Santa Casa ainda para chegar lá e passar para o ortopedista para ver direito", afirmou Joana. A filha Luana Martins relatou que a mãe ficou três dias dormindo em uma cadeira quebrada. "Um descaso". A prefeitura informou que o encaminhamento de Joana à Santa Casa saiu às 10h de quinta (2). João Gabriel conseguiu transferência ao Hospital Estadual de Américo Brasiliense também pela manhã.
Santa Casa opera com 100% de ocupação
O diretor técnico da Santa Casa, Roberto Muniz, afirmou que os meses frios aumentam a incidência de algumas doenças e que, nas últimas semanas, observaram aumento de traumas graves causados por acidentes de trânsito, pressionando o sistema de internação. "Normalmente, com os leitos que nós temos, cerca de 190 leitos para o SUS, nós conseguimos dar conta da demanda de uma forma razoável. Com o aumento da pressão, esses leitos passam a ser insuficientes", disse Muniz. O hospital opera com 100% da ocupação, com macas no corredor.
Prefeitura e Estado não respondem sobre demora
A prefeitura disse que as UPAs registraram aumento na taxa de ocupação e que parte dessa situação é causada pelo tempo de espera para liberação de vagas pela Cross. Enquanto as vagas não saem, são realizadas avaliações e atendimentos aos pacientes nas UPAs. Ao questionar a Central de Regulação sobre a demora, quantos pacientes estão na fila, a previsão de novas vagas e os critérios para encaminhamento, o órgão estadual não respondeu, apenas confirmou que Joana e João Gabriel conseguiram transferência.



