A Polícia Civil concluiu que uma criança de 9 anos sofreu um acidente com o mesmo grupo de rope jump que, três meses depois, promoveu o salto que matou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. O caso ocorreu na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis (SP). O segundo inquérito da tragédia revelou que, em março de 2026, o menino foi lançado pela equipe "Entre Cordas" e teve a corda retirada do corpo antes de o movimento pendular cessar, resultando em escoriações nos joelhos após ele raspar o solo.
Acidente anterior com criança
Segundo depoimento do pai à polícia, o filho realizou movimentos pendulares e foi liberado da corda de forma antecipada por um integrante na base, antes da completa estabilização. "Em decorrência disso, o menor veio a raspar o solo, sofrendo escoriações nos joelhos. Não houve impacto grave na cabeça, embora o menor tenha relatado leve batida", detalha o relatório final do inquérito.
Pai prestava serviços à empresa
O pai do menino também afirmou que prestou serviços operacionais para a empresa investigada. Ele conheceu a equipe por meio do indiciado Luís Felipe, com quem mantinha contato anterior em serviços informais de segurança. O convite para o salto ocorreu após dois anos de convivência. O pai atuava como freelancer em aproximadamente quatro a cinco eventos, todos na Ponte do Esqueleto, realizando lançamento de corda auxiliar, recuperação de equipamentos, filmagens e apoio a participantes com receio, incluindo a modalidade "aviãozinho" escolhida por Maria Eduarda.
Morte de Maria Eduarda
Maria Eduarda morreu em 13 de junho de 2026 ao ser arremessada de 40 metros de altura sem cordas de segurança durante a prática de rope jump. A polícia indiciou a organizadora do evento por homicídio qualificado. O primeiro inquérito, concluído em 22 de junho, resultou na prisão em flagrante de três instrutores: Luis Felipe Feliciano Egoroff (32 anos), Maicon Fernandes Cintra (42 anos) e Vitor de Freitas Gonçalves (27 anos). Eles tiveram a prisão convertida em preventiva e foram transferidos para o CDP II de Guarulhos (SP) para proteção da integridade física. A Justiça negou pedido de habeas corpus.
Câmera desaparecida e novas imagens
Os três são suspeitos de apagar conteúdos digitais e desaparecer com a câmera que gravava o salto, presa a Maria Eduarda. A câmera é considerada essencial para a reconstrução do caso. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo apura crimes dolosos contra a vida, na modalidade de dolo eventual, e possível fraude processual. Novas imagens obtidas pela EPTV mostram a reação de pessoas após o lançamento da jovem, com falas como "Gente, a corda!" e "Como assim, a corda arrebentou?".
Contexto do rope jump
O rope jump utiliza cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço pendular. Diferente do bungee jump, que usa corda elástica e provoca quiques. A ponte onde ocorreu o acidente, conhecida como Ponte do Esqueleto, teve seu acesso fechado após a tragédia, e o governo federal avalia removê-la.



