O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus aliados não desistiram de tentar influenciar o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, mesmo após um revés significativo na Suprema Corte. A corte bloqueou a demissão da diretora Lisa Cook, reafirmando a independência da instituição, mas Trump já busca alternativas legais para reconfigurar a cúpula do Fed e direcionar a política de juros do país.
O bloqueio da Suprema Corte e a reação de Trump
No dia 2 de julho de 2026, a Suprema Corte dos EUA decidiu que a demissão de Lisa Cook, indicada por Joe Biden, era ilegal, pois o Fed goza de proteções legais que garantem a autonomia de seus diretores. A decisão foi uma vitória para os defensores da independência do banco central, mas não eliminou as tensões políticas. Trump, que havia criticado publicamente o Fed por manter juros elevados, chamou a decisão de "temporária" e prometeu buscar "todos os caminhos legais" para garantir que a política monetária reflita as necessidades da economia americana.
Estratégias de Trump para influenciar o Fed
Segundo fontes próximas ao governo, a Casa Branca estuda três frentes principais. A primeira é a nomeação de novos membros para o conselho do Fed, aproveitando vagas que abrirão nos próximos meses. Trump planeja indicar nomes alinhados com sua visão de juros mais baixos, mas precisa da aprovação do Senado, controlado por republicanos moderados. A segunda frente é a presidência do Fed de Atlanta, atualmente ocupada por Raphael Bostic, cujo mandato termina em 2027. Trump pode tentar influenciar a escolha do sucessor, já que o cargo é indicado pelo conselho local, mas com forte influência política. A terceira frente é a pressão pública e privada sobre o presidente do Fed, Jerome Powell, cujo mandato vai até 2028. Trump já sinalizou que pode apoiar uma reforma legislativa que reduza a independência do Fed, embora isso enfrente forte oposição no Congresso.
Impactos na política de juros e na economia
Analistas apontam que, mesmo com as limitações legais, a pressão política pode levar o Fed a adotar uma postura mais cautelosa em relação a aumentos de juros. "A independência do Fed é um pilar da estabilidade econômica, mas a pressão política constante pode, aos poucos, corroer essa autonomia", afirmou Maria Silva, economista-chefe do Banco do Brasil. Atualmente, a taxa de juros americana está em 5,5% ao ano, e o mercado projeta um corte apenas em 2027. Se Trump conseguir influenciar o Fed, a redução pode ocorrer antes, estimulando a economia, mas com riscos inflacionários.
Reações e próximos passos
A decisão da Suprema Corte foi celebrada por democratas e economistas independentes, que veem a autonomia do Fed como essencial para evitar ciclos políticos na política monetária. No entanto, Trump já articula com aliados no Congresso uma proposta de emenda constitucional para limitar a independência do banco central. Enquanto isso, o Fed mantém sua postura de aguardar dados econômicos antes de decidir sobre juros. A próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) está marcada para julho, e todas as atenções estarão voltadas para possíveis sinais de influência política.



