Coronel da PM convida suspeito de ligação com PCC para colônia de férias de oficiais
Coronel da PM convida suspeito do PCC para colônia de oficiais

Um grupo de WhatsApp chamado "Viajar Gente Linda" tornou-se peça central em uma investigação do Ministério Público de São Paulo que apura a relação entre policiais militares e suspeitos de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com os promotores, foi por meio desse grupo que um coronel da reserva da PM convidou um homem investigado por ligação com a facção para se hospedar em uma colônia de férias destinada a oficiais da corporação, em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira.

O convite e a resposta

As conversas analisadas ocorreram em setembro de 2020. Em uma das mensagens, o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins sugere uma viagem para a cidade durante um feriado. "Quanto ao próximo feriado, podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais!!! Tudo mais em conta, todos como associados!!", escreveu o militar no grupo, segundo a investigação. Quem responde ao convite é Cleber Azevedo dos Santos, apontado pelo MP como investigado por vínculos com o PCC. Na conversa, ele demonstra interesse na viagem e passa a interagir com os demais integrantes do grupo.

Hospedagem exclusiva para oficiais

A colônia de férias citada nas mensagens é voltada a oficiais associados da Polícia Militar, seus dependentes e convidados. Conforme as regras do local, quando há convidados, a reserva deve ser realizada por um oficial, que assume a responsabilidade pela hospedagem. Para os investigadores, o episódio reforça a proximidade entre Pereira Martins e Cleber Azevedo dos Santos. No relatório, o Ministério Público afirma que o coronel mantinha amizade com investigados por envolvimento com o PCC e, em alguns casos, aparecia como alguém capaz de facilitar contatos dentro da corporação.

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Relação se estendeu por anos

As investigações apontam que a relação entre o coronel e os suspeitos não se limitou à viagem para Campos do Jordão. Em 2022, novas mensagens mostram conversas sobre uma reserva em outra colônia de férias da Polícia Militar, desta vez em Boraceia, no litoral paulista. Segundo o MP, Pereira Martins também trocou mensagens com Robson Martins de Souza, apontado como sócio de Cleber e responsável pela articulação de pagamentos de propina a policiais. Ambos foram presos na operação deflagrada nesta semana.

Ligações com lavagem de dinheiro

O relatório ainda cita conversas nas quais o coronel oferece ajuda para estabelecer contatos com oficiais da PM e aparece em grupos de mensagens ao lado de investigados que, segundo os promotores, atuariam em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. O coronel Luiz Carlos Pereira Martins não respondeu aos contatos feitos pela reportagem original.

Posicionamentos oficiais

A defesa de Cleber Azevedo dos Santos afirmou que ele nunca atuou como operador financeiro do PCC e negou qualquer envolvimento dos policiais citados com suas empresas ou influência na resolução de problemas empresariais. O advogado de Robson Martins de Souza não respondeu aos contatos. O Ministério Público informou que a investigação sobre os policiais continua em andamento e que não comentará o caso neste momento. Já a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que as corregedorias das polícias Militar e Civil adotaram providências para apurar os fatos e que eventuais responsabilidades serão investigadas com rigor.

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