A Polícia Civil de Pernambuco investiga a hipótese de tentativa de homicídio por motivo de ciúme no caso da artesã Denny Cardoso, que foi envenenada com mercúrio pela própria aluna, Maria Aparecida Rodrigues Araújo, durante um curso de artes no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife. De acordo com o delegado José Custódio, a suspeita agiu de forma consciente e repetida, colocando mercúrio na água da vítima em duas ocasiões em junho de 2025.
Ciúmes como motivação
Segundo o delegado, a amizade entre Denny Cardoso e o namorado de Maria Aparecida teria despertado ciúmes na investigada. “Em determinado momento, por ter amizade com o namorado da investigada, ela passou a cobrar ciúmes da vítima. A partir daí, começa toda a trama delituosa. A gente trabalha com a linha de raciocínio de uma possível tentativa de homicídio, já que foram condutas repetidas por parte da investigada com a utilização de mercúrio de forma consciente”, afirmou Custódio à TV Globo.
A artesã confirmou que teve uma discussão com a aluna sobre o relacionamento. “Se você tem problema com ele, você resolva com ele, que ele é seu namorado. Mas, independente do que você está fazendo ou não, eu não vou deixar de ser amiga dele. Ele, para mim, era mais que um irmão”, relatou Denny.
Investigação e provas
As investigações já duram mais de um ano. A suspeita é que o envenenamento tenha ocorrido por um período de seis meses a até um ano. O caso veio a público após a própria vítima filmar, com um celular escondido, a aluna colocando uma substância em sua garrafa de água em duas oportunidades. As imagens mostram Maria Aparecida cortando um papel com tesoura, depositando o conteúdo na água, agitando a garrafa e saindo da sala.
A professora contou que foi a própria aluna quem a presenteou com a garrafa, que passou a usar diariamente por cerca de dois meses. Nesse período, Denny notou bolhas na água e um gosto diferente, mas não suspeitou de gravidade. A suspeita surgiu ao flagrar Maria Aparecida mexendo na garrafa durante uma aula.
Laudos e sintomas
A garrafa foi enviada para perícia. Dois dias depois, Denny voltou ao curso com outro recipiente idêntico, e a suspeita repetiu o comportamento, sendo novamente filmada. Os laudos periciais confirmaram a presença de mercúrio nas duas garrafas. Exames também detectaram o metal no sangue e na urina da professora. No sangue de Denny, foram encontrados 21 mg de mercúrio — cerca de quatro vezes acima do limite tolerável.
O mercúrio é um metal altamente tóxico, proibido em termômetros no Brasil desde 2019, e pode causar danos graves ao cérebro, rins, intestino e pele. Denny relatou sintomas como dores abdominais, transtornos neurológicos, falta de força nas mãos e dores constantes. “As coisas mais básicas que você faz em uma casa, para mim, se tornam um sacrifício enorme”, declarou.
Defesa da suspeita e andamento
A defesa de Maria Aparecida nega as acusações e informou que ela tem transtornos mentais, está sob cuidados médicos e não divulgará informações que possam interferir na investigação. No entanto, o delegado José Custódio afirmou que até o momento não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico. Ele também destacou que, embora as imagens e depoimentos sejam relevantes, a investigação busca reunir mais elementos para comprovar a prática do crime.
A vítima, que segue em tratamento, afirmou que ainda não encontrou profissionais especializados em contaminação por mercúrio, mas mantém esperança de recuperação. “Eu estou otimista. Eu tenho fé. Eu vou voltar. Sempre digo: eu vou voltar a andar como era antes”, disse Denny.



