Caso Berenice: sobrinho da principal suspeita é preso em Ubatuba
Caso Berenice: sobrinho de suspeita é preso em Ubatuba

A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (4), Magno dos Santos Neri Barbosa, de 31 anos, sobrinho da empresária Eliane Alves dos Santos, apontada como principal suspeita de matar a cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, em Ubatuba. Segundo a investigação, ele é suspeito de participação no homicídio e na ocultação do cadáver.

Investigação avança com novas prisões

A prisão ocorre menos de 24 horas após a captura de Irimar Castilho, companheiro de Eliane, investigado pelos mesmos crimes. Com a captura de Magno, a Polícia Civil afirma que todos os investigados com mandados de prisão decretados pela Justiça já foram localizados e presos.

Eliane Alves dos Santos é apontada como autora dos disparos que mataram a cozinheira. Já Irimar Castilho, preso na segunda-feira (3), e Magno são investigados por participação no homicídio e por ações para ocultar o crime.

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Investigação da DIG de São Sebastião

As prisões são resultado da investigação conduzida pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião, que reuniu provas técnicas e testemunhais ao longo de mais de um mês de apuração. Segundo a Polícia Civil, a investigação contou com análise de imagens de monitoramento, rastreamento de veículos, perícias, laudos periciais, extração de dados telefônicos e telemáticos, além de diligências realizadas em cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, Berenice trabalhava havia cerca de quatro meses para Eliane em uma propriedade rural no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. A principal linha de apuração aponta que desentendimentos relacionados ao pagamento de verbas trabalhistas motivaram o crime.

Dinâmica do crime

Conforme os elementos reunidos pela polícia, a cozinheira foi morta no mesmo dia em que desapareceu, em 30 de junho. A vítima teria sido colocada em uma caminhonete sob o pretexto de ser levada ao hospital. Depois, o corpo foi transportado para o estado do Rio de Janeiro e abandonado em uma área de mata de difícil acesso em Angra dos Reis, onde foi encontrado dias depois.

A Polícia Civil também identificou tentativas de ocultação de provas, incluindo reparos no veículo utilizado no crime, descarte e substituição de aparelhos celulares, exclusão de dados e alteração de vestígios. Perícias encontraram sangue humano nos veículos analisados e, segundo os investigadores, outros elementos técnicos reforçam a versão construída ao longo do inquérito.

Prisão de Irimar Castilho

Após ser levado para a Delegacia de Ubatuba, Irimar permaneceu à disposição da Justiça. Como ele é militar da reserva, uma equipe da Polícia Militar foi acionada para conduzi-lo ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital, onde deverá permanecer até a audiência de custódia, marcada para a manhã desta terça-feira (4). O mandado de prisão preventiva foi expedido pela 2ª Vara Cumulativa de Ubatuba.

O boletim de ocorrência informa que a prisão faz parte da investigação sobre a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, mas não dá detalhes sobre a suspeita contra Irimar. A cozinheira Berenice desapareceu no fim de junho e o corpo foi encontrado após 17 dias de buscas, em uma área de mata de Angra dos Reis. A patroa suspeita segue presa temporariamente.

Relembre o caso

Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, desapareceu no dia 30 de junho, após sair para trabalhar em uma casa no bairro Ubatumirim, em Ubatuba, onde atuava como cozinheira. Após 17 dias de buscas, o corpo da vítima foi encontrado em uma área de mata em Angra dos Reis (RJ). Desde então, a Polícia Civil passou a tratar o caso como homicídio.

A empresária Eliane Alves dos Santos, patroa de Berenice, foi presa temporariamente durante as investigações e é apontada como a principal suspeita do crime. Na semana passada, a Polícia Civil cumpriu um novo mandado de busca e apreensão em Ubatuba e apreendeu um celular e um gravador de vídeo digital. Segundo a corporação, o inquérito está na fase final e ainda depende da conclusão de laudos periciais, das quebras de sigilo e da realização de oitivas.

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Declarações do delegado

De acordo com o delegado seccional de São Sebastião, André Costilha, o inquérito foi instaurado logo após o registro do boletim de ocorrência e, desde então, as equipes realizaram diversas diligências para esclarecer o caso. Ao longo da investigação, a Polícia Civil representou pela prisão temporária da principal investigada e pelo cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Segundo o delegado, as diligências permitiram localizar a arma utilizada no crime, identificar o carro usado na ação e o mecânico responsável pelo conserto do veículo.

Defesa da patroa

Em julho, o advogado de Eliane Alves dos Santos informou que a cliente foi ouvida pela Polícia Civil no dia 21. Segundo ele, durante o depoimento, ela respondeu apenas às perguntas autorizadas pela defesa e deixou de comentar outros pontos porque os advogados ainda não tiveram acesso a todas as peças do processo.

De acordo com o defensor, Eliane prestou parte do depoimento e informou que outras declarações serão feitas apenas em juízo. Ele afirmou que orientou a cliente a não responder sobre fatos relacionados a documentos e informações aos quais a defesa ainda não teve acesso. Segundo ele, a defesa só deve se manifestar de forma mais ampla após analisar integralmente o processo e definir a estratégia de atuação no caso.