Casa de repouso interditada após morte de idoso de 95 anos em Mogi Guaçu
Casa de repouso interditada após morte de idoso de 95 anos

Uma casa de repouso para idosos em Mogi Guaçu (SP) foi totalmente interditada pela Prefeitura nesta quinta-feira (2), após denúncias de maus-tratos, negligência e irregularidades administrativas. O caso ganhou repercussão com a morte de Antônio Garcia, de 95 anos, ocorrida na terça-feira (30). O Lar de Idosos Maria Braga também é alvo de uma ação civil pública do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que pede o fechamento definitivo da instituição. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar possíveis maus-tratos.

Interdição total e histórico de irregularidades

Segundo a Prefeitura, a clínica descumpriu uma interdição parcial aplicada pela Vigilância Sanitária em janeiro de 2025. Na ocasião, o estabelecimento foi autuado por funcionar sem Licença Sanitária e sem o Laudo Técnico de Avaliação (LTA), documentos obrigatórios para a atividade. Com a medida, a instituição ficou proibida de admitir novos residentes até a regularização. Fiscalizações em setembro e dezembro de 2025 mantiveram a restrição, pois as pendências não foram resolvidas. Uma nova inspeção nesta quinta constatou o descumprimento, levando à interdição integral. Os responsáveis têm três dias para transferir os pacientes e até dez dias para apresentar recurso administrativo. A Prefeitura abrirá sindicância para apurar condutas e responsabilidades, e a Secretaria Municipal de Assistência Social dará suporte aos idosos sem familiares.

Morte de Antônio Garcia e investigação

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela neta, Antônio Garcia permaneceu cerca de 30 dias na clínica antes de ser retirado pelos parentes e levado ao Hospital Municipal Dr. Tabajara Ramos, em Mogi Guaçu, onde morreu em 30 de junho. A certidão de óbito aponta sepse cutânea, úlcera por pressão infectada, senilidade, diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica como causas da morte. A neta relatou piora no estado de saúde do avô durante a permanência na instituição. A delegada responsável pelo caso requisitará documentos de admissão e prontuário médico. Até o momento, não há conclusão oficial sobre a relação entre a morte e os cuidados recebidos.

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Ação do Ministério Público

O MP-SP ingressou em março de 2026 com ação pedindo suspensão imediata das atividades, interdição total e transferência dos idosos. A promotoria cita denúncias de violência, negligência, falta de alimentação adequada e ausência de acompanhamento médico. A investigação começou após denúncias no Disque 100 em outubro de 2024, com relatos de maus-tratos, alimentação inadequada, falta de funcionários e piora na saúde dos idosos. O MP acompanhou fiscalizações e constatou irregularidades mesmo após orientações.

Defesa da clínica

Em nota, a defesa do Lar de Idosos Maria Braga informou desconhecer a ação civil do MP e afirmou não ter recebido citação judicial. Negou irregularidades e sustentou que Antônio Garcia deixou o local em 29 de junho "em pleno estado de saúde". A defesa disse que a família foi orientada sobre os riscos de transferência repentina devido à idade avançada, mas optou pela retirada. A clínica declarou que tomou conhecimento da morte apenas durante a elaboração da nota e que o falecimento "não guarda qualquer relação com os cuidados prestados". Sobre o LTA, afirmou que, com autorização da Vigilância Sanitária, está em prazo de execução de obras e passa por reforma para se adequar às exigências legais.

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