Casa de luxo no litoral de SP vira alvo de tribunal do crime do PCC
Casa de luxo vira alvo de tribunal do crime do PCC em SP

Uma casa de alto padrão avaliada em R$ 2 milhões, localizada na Riviera de São Lourenço, em Bertioga (SP), tornou-se o centro de uma disputa que, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), foi resolvida não pela Justiça, mas por um "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso é um dos principais episódios que embasaram a Operação Janus, deflagrada na terça-feira (21), que resultou na prisão de ao menos 13 investigados.

O que é o 'tribunal do crime'?

O "tribunal do crime" é uma prática adotada por facções criminosas para julgar e punir pessoas que tenham desavenças com o grupo. No caso, a negociação da casa aproximou empresários investigados por lavagem de dinheiro de integrantes da facção, conforme apontou a investigação.

Riviera de São Lourenço: bairro de luxo e segurança

A corretora Rose Braga, que atua há 20 anos na região, explicou que a Riviera de São Lourenço é um bairro aberto e 100% planejado, apesar de ser confundido com um condomínio de luxo. "Apesar dos dois portais e do rigoroso sistema de segurança e conservação, não é um condomínio fechado, mas sim um loteamento urbano integrado à cidade. Isso significa que qualquer um pode transitar nas ruas e praças sem restrições, e por lei também pode usar a praia", disse Rose ao g1.

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O bairro, iniciado em 1979 pela Sobloco Construtora S.A., tem infraestrutura de alto padrão e preservação ambiental. Cerca de 60% do projeto já foi implantado, com escolas, shopping, restaurantes, flats, hotéis, hipermercado, complexo tenístico, clube hípico e de golfe, 12 mil unidades habitacionais, centro comercial, postos de gasolina e atendimento médico. Possui ainda sistemas próprios de água e esgoto, gerador de energia e segurança 24 horas, além de certificação ISO 14001 há mais de 20 anos.

Casas e apartamentos luxuosos podem chegar a R$ 60 milhões, dependendo da localização e distância da praia. Celebridades como Eliana, Léo Picon, Daniel, MC Gui e Luciano (da dupla com Zezé Di Camargo) possuem imóveis no bairro. A influenciadora Deolane Bezerra também comprou uma mansão de mais de R$ 15 milhões na região.

A disputa pela casa e o envolvimento do PCC

Segundo o MP, o empresário Cléber Azevedo dos Santos, apontado como vendedor do imóvel, e Marcelo de Morais Oliveira, identificado como comprador, passaram a disputar o pagamento de R$ 2 milhões relacionados à venda da casa. A partir da análise de celulares apreendidos, o Ministério Público concluiu que o conflito extrapolou a esfera comercial e passou a ser tratado por integrantes do PCC.

Cléber contou com o auxílio de Antonio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antonio Fontana — ambos alvos de prisão preventiva e denunciados anteriormente na Operação Bazaar — para se aproximar de integrantes da facção. Entre eles estava Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, apontado pelo MP como um dos chefes do PCC e que também teve a prisão decretada na operação. Segundo a investigação, foi a partir dessa aproximação que a disputa pela casa acabou submetida ao "tribunal do crime".

Operação Janus e alvos

A Operação Janus, do MP-SP, prendeu 11 pessoas e outros dois investigados já estavam presos. Até a última atualização, cinco seguem foragidos, entre eles Leonardo Meirelles, já procurado em outras operações. Os alvos com prisão preventiva decretada incluem Cléber Azevedo dos Santos, Antonio Carlos Ubaldo Júnior, Marlon Antonio Fontana, Leonardo Monteiro Moja, André de Souza Haddad, Antonio Carlos Sampaio, Alexandre Viriato da Silva, Danillo Vinicius da Silva Rosário e Marcelo de Morais Oliveira. Segundo o MP, eles participaram, em diferentes momentos, das negociações, da intermediação com integrantes do PCC ou do chamado "tribunal do crime" que teria analisado o conflito envolvendo o imóvel da Riviera.

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