Um bombeiro militar aposentado, de 46 anos, foi preso em Boa Vista, Roraima, acusado de perseguir, ameaçar e tentar estuprar a ex-mulher. Segundo a Polícia Civil, ele utilizou ao menos 14 transferências via Pix para enviar mensagens intimidatórias e ofensas, mesmo após ser bloqueado nos aplicativos de conversa.
Uso do Pix como ferramenta de perseguição
As transferências, que ocorreram entre novembro de 2024 e julho de 2026, incluíam valores como R$ 0,01, R$ 1, R$ 2 e R$ 5. No campo de descrição, o suspeito escrevia mensagens como "eu não vou desistir de vc, sei que me bloqueou" e "só pra avisar que eu ainda moro aí [...] qualquer hora posso tá chegando".
Os comprovantes, obtidos pelo g1, revelam acusações de traição, pedidos para que a vítima retirasse seus pertences da casa, cobranças de aluguel e tentativas de convencê-la a retomar contato. Em uma das mensagens, ele questionou: "vou ficar bloqueado mesmo né?"
Contexto mais amplo de perseguição
A investigação aponta que o uso do Pix era parte de um esquema maior de perseguição. O suspeito monitorava a rotina da vítima, buscava informações sobre seus horários, perguntava a conhecidos se ela participaria de eventos esportivos e chegava a aparecer em locais frequentados por ela.
Além das mensagens via Pix, ele enviava ofensas e ameaças por outros meios, configurando violência psicológica e ameaça. A Polícia Civil o investiga pelos crimes de perseguição, violência psicológica, ameaça e tentativa de estupro.
Prisão e operação
O bombeiro foi preso preventivamente no sábado (1º), durante uma operação da Polícia Civil em Boa Vista. O mandado foi cumprido por policiais do Departamento de Operações Especiais (Dopes), por meio do Grupo de Resposta Tática (GRT), em ação conjunta com o Programa Brasil Contra o Crime – Operação Divisas, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), coordenado em Roraima pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
As mensagens enviadas via Pix foram fundamentais para a investigação, demonstrando a persistência do suspeito em manter contato e intimidar a vítima, mesmo após ser bloqueado.



