Um bebê de 1 ano e 4 meses morreu após prender a cabeça em uma grade de proteção de espelho na Creche Luz do Brás, no bairro do Brás, região central de São Paulo, na manhã de quarta-feira (22). As imagens das câmeras de segurança mostram que Abdoulaye Dieng ficou preso por aproximadamente seis minutos antes de ser socorrido por funcionárias da unidade.
Como ocorreu o acidente
Segundo a investigação da Polícia Civil, o menino estava em uma sala multiuso com outras crianças durante uma atividade recreativa. Ele deitou no chão e colocou a cabeça no vão entre uma barra metálica que protege um espelho e a parede. As gravações indicam que ele tentou se desvencilhar por cerca de seis minutos, mas só foi retirado quando monitoras perceberam a situação.
Socorro e atendimento
A Polícia Militar foi acionada por volta das 9h20, após ser abordada por funcionárias da creche que saíam da unidade carregando a criança no colo. Abdoulaye foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca, mas não resistiu. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) confirmou que a criança deu entrada na UPA e, apesar de todos os esforços, o óbito foi declarado.
Reação do pai
O pai do menino, Ibrahima Dieng, vendedor senegalês que vive no Brasil há oito anos, contou que deixou o filho na creche por volta das 7h30. Cerca de uma hora e meia depois, recebeu uma ligação informando o acidente. Emocionado, ele afirmou: "Hoje foi lá na escola e depois ele fala ligar (...) chegou, ele fala 'cadê criança?', esperar e depois ele morreu." A mãe do menino passou mal após receber a notícia. "Chora muito... é triste, muito. Vai ser muito difícil recuperar."
Advogado aponta falhas
O advogado da família, Erson de Oliveira, afirmou que as imagens reforçam a suspeita de que a criança estava sem supervisão. "O que foi relatado para a gente é que a criança estava brincando sem supervisão. Ela prendeu a cabeça num ferro que prende um espelho e se asfixiou sem socorro, sem ajuda de ninguém, até falecer." Para ele, o fato de o menino ter ficado preso por seis minutos demonstra falha na vigilância. "Da mesma forma que colocou a cabeça, se tivesse alguém para levantar o corpinho conseguiria tirar facilmente. Não houve esse auxílio." A defesa também questiona por que a creche optou por levar a criança à UPA em vez de acionar imediatamente o Samu ou os Bombeiros.
Investigação policial
A Polícia Civil preservou o local para perícia do Instituto de Criminalística e solicitou exame necroscópico ao Instituto Médico Legal (IML) para apontar a causa da morte. O boletim de ocorrência relaciona cinco profissionais da creche entre os investigados, incluindo coordenadoras, diretora e pedagogas. Até o momento, ninguém foi preso. O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar) e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás).
Notas oficiais
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que policiais militares foram abordados por funcionários da creche que já estavam socorrendo a criança à UPA Mooca. A Secretaria Municipal de Educação (SME) lamentou profundamente o ocorrido e manifestou solidariedade aos familiares, acrescentando que equipes da Diretoria Regional de Educação e do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA) estão prestando suporte à família. "As circunstâncias da ocorrência no CEI parceiro Luz do Brás estão sendo rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes. A secretaria colabora integralmente com as investigações e adotará todas as providências cabíveis após a conclusão da apuração dos fatos."



