A Polícia Civil do Rio Grande do Norte confirmou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (19), que o atentado contra o vereador de Mossoró Cabo Deyvison (PL), que resultou na morte de seu assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, foi uma retaliação de facções criminosas devido à atuação do parlamentar contra esses grupos. A hipótese de motivação política foi descartada pelos investigadores.
Investigação aponta planejamento do crime
De acordo com o delegado Tiago Biscoli, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Mossoró, o crime foi planejado e executado por integrantes de uma facção criminosa. Dois homens suspeitos de participação no atentado foram presos no Ceará na terça-feira (16). Ambos são naturais do Rio Grande do Norte, mas possuem bases no estado vizinho.
A polícia apreendeu o carro usado na ação, um fuzil calibre 5.56 e uma pistola .40. Os agentes também localizaram um esconderijo utilizado pelos investigados no bairro Maísa, em Mossoró.
Planejamento começou dias antes
Segundo os investigadores, o planejamento teve início dias antes do ataque. O veículo utilizado pelos criminosos chegou a Mossoró dois dias antes do atentado. A investigação também revelou que os R$ 10 mil encontrados em uma movimentação bancária no celular de um dos suspeitos seriam destinados ao custeio das despesas dos envolvidos na cidade até a execução do crime.
Impressões digitais ligam suspeitos ao carro
Exames papiloscópicos realizados pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) identificaram impressões digitais dos dois homens presos no interior do veículo usado no atentado. O diretor-geral da Polícia Científica do RN, Marcos Brandão, confirmou que os laudos atestam a presença dos suspeitos no carro.
Prisões preventivas
Os dois suspeitos, identificados como José Antônio da Costa e Vinicius Gabriel da Silva Freitas, tiveram suas prisões em flagrante convertidas em preventivas após audiência de custódia na quinta-feira (18). Eles foram abordados pela Polícia Militar de Beberibe na CE-040, próximo ao distrito de Parajuru, quando trafegavam em um táxi vindo de Mossoró.
A Polícia Militar do Rio Grande do Norte informou que, logo após o crime, entrou em contato com a PM do Ceará para interceptar o veículo. No momento da prisão, os suspeitos confessaram a participação direta no ataque.
O secretário estadual de Segurança Pública, coronel Francisco Araújo, afirmou que as forças de segurança seguem trabalhando para identificar outros envolvidos no atentado. O caso é investigado pela Polícia Civil de Mossoró.
O ataque
O atentado contra o vereador Cabo Deyvison, de 37 anos, ocorreu por volta das 22h de segunda-feira (15), enquanto o parlamentar aguardava do lado de fora da UPA de Alto de São Manoel, em Mossoró, acompanhando uma mulher e uma criança que havia sido mordida por um cachorro. O vereador fazia uma transmissão ao vivo quando um veículo passou e os ocupantes dispararam várias vezes contra ele.
O assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Cabo Deyvison recebeu os primeiros atendimentos na UPA e foi transferido para o Hospital Regional Tarcísio Maia, depois para o Hospital da PM, também em Mossoró.
Em nota, a equipe do vereador lamentou a morte do assessor e pediu orações pela recuperação de Cabo Deyvison e pela família da vítima. Deyvison Thalles Martins do Nascimento, conhecido como Cabo Deyvison, foi eleito vereador pela primeira vez em 2024. Ele é policial militar no Ceará desde 2013 e está licenciado para exercer o cargo na Câmara Municipal de Mossoró.
O delegado Renato Oliveira, responsável pelo caso, classificou o atentado como bárbaro e destacou que a ação colocou em risco pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde da UPA. "É uma atitude extremamente violenta e criminosa que precisa de uma resposta", afirmou.



