Após 19 anos, política de segurança do Rio 'permanece a mesma', diz advogado
Após 19 anos, segurança do Rio 'permanece a mesma'

Dezenove anos após a operação policial no Complexo do Alemão que resultou na morte de 19 pessoas, o advogado João Tancredo, que representou famílias de vítimas e obteve a condenação do Estado, afirma que a política de segurança do Rio de Janeiro 'permanece a mesma'. Segundo ele, a lógica do confronto armado continua predominando nas ações das forças de segurança.

Operação de 2007 e suas consequências

Em 2007, uma grande operação policial no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, deixou 19 mortos, entre civis e supostos criminosos. A ação foi marcada por denúncias de abusos e violações de direitos humanos. As famílias das vítimas buscaram justiça na Justiça, e o advogado João Tancredo atuou no caso, conseguindo a condenação do Estado do Rio de Janeiro por danos morais e materiais.

Crítica à continuidade da política de segurança

Em entrevista ao blog Ancelmo Gois, Tancredo afirmou: 'Passados 19 anos, a política de segurança do Rio permanece a mesma. A lógica do confronto armado, da guerra às drogas, continua sendo a principal estratégia do Estado, com resultados trágicos para a população civil.' Ele destacou que, apesar das mudanças de governo e de comando das polícias, a abordagem violenta e a falta de investimento em prevenção e inteligência persistem.

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Números e impacto

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública, o Rio de Janeiro registrou, em 2023, mais de 4.500 mortes violentas, sendo grande parte decorrentes de operações policiais. Tancredo ressalta que 'enquanto não houver uma mudança estrutural, com foco em direitos humanos e redução de letalidade, as comunidades continuarão a sofrer com a violência institucional'.

O papel da Justiça e da sociedade

O advogado também comentou sobre a importância da condenação do Estado em 2007 como precedente, mas lamentou que 'a Justiça ainda seja lenta e que muitas famílias não consigam reparação'. Ele defendeu maior controle externo da atividade policial e participação da sociedade no debate sobre segurança pública. 'A mudança depende de pressão social e de uma política que priorize a vida', concluiu.

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