Advogado de 30 anos é encontrado morto em Mogi Mirim; polícia investiga crime de ódio
Advogado morto em Mogi Mirim: polícia investiga crime de ódio

Lucas Silva Lopes, advogado de 30 anos, foi encontrado morto no domingo (2) em uma estrada de terra no Distrito Industrial Luiz Torrani, em Mogi Mirim (SP). A polícia investiga a hipótese de crime de ódio, já que Lucas era uma pessoa com deficiência e atuava na defesa dos direitos desse grupo. O corpo apresentava sinais de violência e o carro dele foi achado queimado nas proximidades.

Homenagens destacam luta contra o preconceito

Amigos, colegas e ex-professores usaram as redes sociais para prestar homenagens a Lucas. Nas publicações, ressaltaram a atuação dele na defesa dos direitos das pessoas com deficiência e no combate ao preconceito. Uma usuária escreveu: "Sempre alegre, bem humorado e com uma sede enorme de viver. Inspirou todas as pessoas que o conheceram. Que a justiça seja feita".

Lucas era mestre em direitos humanos pela Universidade de São Paulo (USP) e cursava doutorado na mesma instituição. Nas redes sociais, ele se identificava como pessoa com deficiência, tendo paralisia cerebral. Uma amiga lamentou: "Dói demais saber que essa brutalidade aconteceu com uma das pessoas mais maravilhosas que conheci. Desde menino cuidava do outro, lutava na escola fundamental (onde o conheci) contra os preconceitos. Posso lembrar de suas palavras e amor! Que a paz esteja com você, doçura!".

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Trajetória de dedicação

Lucas foi paciente e diretor-secretário da Casa da Criança Paralítica (CCP), instituição que integrou entre 2023 e o início de 2026. Em nota, a CCP afirmou que ele contribuiu "de forma significativa" para a missão da entidade. Atualmente, o advogado trabalhava na Ambev.

Uma ex-professora da PUC Campinas, onde Lucas estudou, também se manifestou: "Que tristeza profunda. Lucas era um ser humano incrível. Aluno da minha primeira turma na PUC Campinas. Esse cara trabalhou muito na construção de uma sociedade mais justa e levou muita alegria em todos os espaços que ocupou. Que a justiça seja feita por ele".

OAB lamenta e pede providências

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Campinas divulgou nota de pesar, informando que Lucas era inscrito na subseção desde 2020 e integrava as comissões de Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência. A entidade pediu "providências para que o caso seja elucidado com celeridade" e afirmou que ainda não há informações sobre uma possível relação entre a morte e a atuação profissional dele. No entanto, a OAB ressaltou que é "inaceitável que um advogado seja vítima de violência por conta do exercício da profissão".

Crime sem respostas

O corpo de Lucas foi localizado pela Guarda Municipal, que constatou sinais de violência. O carro do advogado foi encontrado completamente queimado em uma área próxima. O delegado Fábio Chrysostomo, responsável pelo caso, disse à EPTV, afiliada da TV Globo, que familiares relataram que Lucas não tinha histórico de conflitos: "Todos os familiares e pessoas próximas que nós ouvimos relatavam que era uma pessoa muito bondosa de coração, e que não possuía nenhuma desavença com nenhuma outra pessoa".

A comandante da Guarda Municipal de Mogi Mirim, Elaine Navarro, detalhou que Lucas estava nu e com ferimentos visíveis no rosto. "Estava totalmente nu, com sinais de violência no rosto e deitado em posição fetal. Tinha um tecido, alguma coisa que estava no pescoço e no corpo dele amarrado", afirmou. O tio da vítima, Igor Luis de França Silva, informou que a família busca imagens de câmeras de segurança para esclarecer o trajeto de Lucas e se havia outras pessoas com ele antes do crime.

Notas de pesar

Além da OAB, a Ambev, a Casa da Criança Paralítica e o Laboratório de Esporte, Diversidade e Aventura (LEDA) da Faculdade de Educação Física da Unicamp também emitiram notas de pesar. A Ambev declarou: "Lamenta profundamente o falecimento de Lucas Silva Lopes e manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas neste momento de profunda tristeza. A companhia está prestando todo o apoio necessário à família".

O LEDA, coordenado pela professora Dra. Mariana Gomes, destacou a passagem de Lucas pela extensão de natação paralímpica: "Lucas fez parte da nossa história e deixou marcas de carinho, convivência e aprendizado em todos nós. Sua presença nas atividades da extensão será sempre lembrada com respeito, afeto e saudade".

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