Um advogado de 46 anos, Marco Antônio de Souza, afirma que foi agredido por policiais militares na noite de quinta-feira (9) no bairro Ipiranga, em Ribeirão Preto (SP), durante o atendimento a um cliente. Segundo ele, a confusão começou quando um tenente da PM se recusou a aceitar a carteira digital da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apresentada por ele. O advogado alega que foi agredido com socos e chutes, derrubado, algemado e arrastado no chão.
Versão do advogado
Marco Antônio relata que foi chamado por familiares de uma pessoa abordada pela PM. Ao chegar, apresentou a carteira da OAB pelo celular, mas o tenente exigiu o documento físico. O policial teria dito que o documento digital poderia ter sido produzido por inteligência artificial. O advogado admite discussão verbal e ter desafiado o policial a tirar a farda para resolver como homens, mas nega agressão física antes da abordagem policial. Ele afirma que foi agredido com socos e chutes por cerca de oito ou nove policiais, derrubado, algemado e arrastado no chão. Ficou aproximadamente 40 minutos algemado e deitado na calçada, com o rosto sangrando. Foi levado algemado à Unidade Básica de Saúde (UBDS) do bairro Siminone e depois à delegacia. O filho dele, de 22 anos, também foi agredido ao tentar intervir, sendo jogado ao chão, algemado e arrastado, tendo um relógio danificado. “Depois de 20 anos de profissão, nunca tinha passado por isso”, disse o advogado.
Versão da Polícia Militar
A PM afirma que o advogado interveio na ocorrência, desacatou os policiais, aparentava estar alcoolizado e resistiu à abordagem. As lesões no rosto dele teriam ocorrido quando caiu durante a contenção. Segundo o boletim de ocorrência, os policiais disseram que Marco Antônio os ofendeu com palavras de baixo calão e continuou mesmo após advertido. Recebeu voz de prisão por desacato, resistiu e precisou ser contido e algemado. Os PMs afirmam que, até o algemamento, ele não se apresentou como representante de nenhuma das partes e só informou que era advogado depois de algemado. A PM instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar a conduta dos agentes. A ocorrência inicial envolvia suspeita de receptação e adulteração de peças de motos; foram encontrados um motor de veículo furtado em Franca e uma moto com chassi adulterado. Duas pessoas foram presas por receptação e adulteração de sinais identificadores.
OAB se manifesta
O presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB de Ribeirão Preto, Paulo Martins Cazon, afirmou que a carteira digital da OAB é válida, disponível em aplicativo oficial, semelhante à CNH digital. Segundo ele, além de apresentar o documento pelo aplicativo, o advogado teria permitido que os policiais verificassem sua inscrição no site da OAB. “Ele deveria ter sido reconhecido ali de pronto que era, de fato, advogado”, disse Cazon. A OAB solicitou a abertura de um IPM e também abrirá um procedimento interno para apurar a conduta dos policiais. A entidade pretende marcar uma reunião com o comando da PM em Ribeirão Preto.
Investigação em andamento
O caso foi registrado como desacato, resistência e lesão corporal. A Polícia Civil também investiga. Marco Antônio passaria por exame de corpo de delito na manhã de sexta-feira (10).



