Advogada é denunciada por abandonar cachorro em Campinas; pena pode chegar a 5 anos
Advogada denunciada por abandonar cão em Campinas

Advogada é denunciada por abandonar cachorro em Campinas

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) apresentou denúncia criminal contra uma advogada flagrada abandonando um cachorro em via pública no bairro Chácara da Barra, em Campinas (SP), em abril de 2026. A suspeita poderá responder por violação da Lei de Crimes Ambientais, que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição da guarda de animais em casos de maus-tratos a animais domésticos. A denúncia ainda aguarda análise da Justiça de Campinas, sem prazo definido para decisão. Se aceita, a advogada se tornará ré no processo.

Defesa se manifesta

Em nota, a defesa da suspeita afirmou ter ciência da manifestação do MP e informou que o procedimento está pendente de distribuição ao juízo competente, sem análise ministerial até o momento. 'Por respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, os esclarecimentos e elementos pertinentes serão oportunamente apresentados perante o Poder Judiciário, no momento processual adequado, contribuindo para a correta compreensão do caso', declarou. A defesa também criticou a 'significativa exposição pública e midiática com base em versões unilaterais dos acontecimentos', apontando condenação midiática prematura que impacta a vida pessoal da suspeita.

Relembre o caso

Policiais civis do Grupo de Operações Especiais (GOE) flagraram o abandono e registraram parte da ação em vídeo. Segundo a equipe, o cão de pequeno porte foi deixado ao lado do veículo, sem guia ou acompanhamento, e passou a circular sozinho pela rua. Ao perceberem o afastamento do veículo e constatarem o abandono, os agentes abordaram a advogada e realizaram a autuação. Minutos depois, o cão retornou ao encontro da mulher, confirmando o vínculo entre eles, conforme os policiais.

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O g1 teve acesso ao boletim de ocorrência, que informa que a advogada alegou estar em processo de separação e 'transtornada'. O cachorro, chamado Calvin, de 11 anos, foi apreendido e encaminhado para avaliação veterinária, sendo posteriormente entregue à ONG Operação Resgate. A mulher foi presa e levada à Cadeia Pública Feminina de Paulínia (SP), mas a Justiça concedeu liberdade provisória com medidas cautelares.

Detalhes da denúncia

Segundo a promotora Verônica Morais Ramos Kobori, a advogada praticou 'ato de maus-tratos contra animal doméstico, consistente em abandono de cão de sua propriedade em via pública'. A denúncia, datada de 25 de maio de 2026, afirma que o cachorro foi deixado 'sem qualquer contenção ou acompanhamento, momento em que o veículo se afastou do local, permanecendo o animal sozinho e aparentemente desorientado, exposto à situação de risco e vulnerabilidade'. Por a pena ultrapassar dois anos, foram descartadas transação penal e acordo de não persecução penal.

Disputa pela guarda de Calvin

A defesa da advogada solicitou que o ex-marido ou um terceiro indicado pelo juiz ficasse com o cachorro até o julgamento, mas o pedido foi negado. Calvin permanece como fiel depositário da ONG. O fiel depositário é a pessoa física ou jurídica nomeada pela Justiça para guardar e proteger um bem envolvido no processo. A posse do animal, temporária ou definitiva, é discutida em outro processo entre a ONG e a suspeita. O MP manifestou-se favorável à permanência do cão sob responsabilidade da entidade, mas ainda não há decisão judicial.

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