Uma adolescente de 15 anos está desaparecida desde a noite de sexta-feira (31) no bairro Parque Industrial João Braz, na região oeste de Goiânia. Raphaela Giovana Ferreira dos Santos saiu de casa sem que os pais percebessem, e a mãe, Geandra Ferreira de Paiva, vive momentos de angústia e desespero.
O desaparecimento
Segundo Geandra, a última vez que viu a filha foi antes de dormir. A televisão do quarto da adolescente permanecia ligada, e ela acreditou que Raphaela continuava no cômodo. Na manhã de sábado (1º), ao abrir a porta do quarto para chamá-la, percebeu que a filha já não estava em casa.
"Ela esquentou a janta, jantou, meu esposo também jantou e deitou cedo. A gente pegou no sono porque os dias são cansativos. Eu não escutei ela saindo. A televisão dela estava ligada, ela com o celularzinho dela lá no quarto", contou a mãe em entrevista ao g1.
A mãe só percebeu o desaparecimento quando foi acordar a filha para irem à feira. "Eu só fui dar falta dela no sábado de manhã, quando fui chamar ela para ir à feira. Do meu quarto mesmo eu gritava: 'Raphaela, bora pra feira!'. Empurrei a porta do quarto dela e cadê a menina? Já me gelei. Saí aqui fora porque ela tem três gatinhas. Pensei que ela estivesse lá com elas, porque ela é apaixonada pelas gatas. Mas não estava", disse.
Histórico de desaparecimento
Esta não é a primeira vez que Raphaela desaparece. No início deste ano, ela ficou sumida por oito dias e foi encontrada após conseguir pedir ajuda por meio de uma televisão conectada à internet. Ela acessou uma rede social e enviou uma mensagem para uma amiga, que avisou a família. Um homem de 37 anos foi preso suspeito de mantê-la em cárcere privado.
"Da última vez que ela fugiu, ficou desaparecida oito dias. Só foi encontrada porque pediu ajuda pelo Instagram para uma amiguinha, que entrou em contato com a gente. O homem que pegou ela na rua levou para o Jardim Botânico e deixou ela em cárcere privado", contou a mãe.
Geandra afirmou que a filha foi encontrada em condições precárias. "Quase morta, sem comer. Na casa não tinha nada. Era uma casa horrorosa, um mocó. Ele deixou ela lá à míngua, sem água e sem comida", relatou.
Comportamento estranho antes do sumiço
Geandra descreveu a sexta-feira em que a filha desapareceu como um dia diferente da rotina da família. Ela permaneceu em casa porque estava com uma forte dor de cabeça e não foi trabalhar. Mesmo passando mal, saiu para comprar carne para o almoço, que foi preparado pela própria Raphaela.
"Ela cozinha. Fez o almoço e a gente almoçou. Só que, quando o trem é pra acontecer, acontece. Eu estranhei porque ela estava arrumando muito o cabelo, passando maquiagem... Mas como eu tomei remédio", relembrou.
Ao longo do dia, a mãe percebeu que a adolescente passou bastante tempo se maquiando e arrumando o cabelo, algo que chamou sua atenção. À noite, após o jantar, a família foi dormir mais cedo. Como havia tomado um medicamento para aliviar a dor, Geandra disse que dormiu profundamente e não ouviu quando Raphaela saiu de casa. A última lembrança que tem da filha naquela noite é dela no quarto, com a televisão ligada e usando o celular.
Mãe mudou a rotina para proteger a filha
Segundo Geandra, após o episódio de violência sofrido no início do ano, Raphaela praticamente deixou de conviver com amigos e passou a viver em isolamento social. A mãe contou que a filha só saía de casa em sua companhia. "Afastou de todas depois desse fato. Só andava comigo. Para qualquer lugar que ia, era comigo", relatou.
Preocupada com a segurança e o bem-estar da adolescente, Geandra disse que pediu demissão do emprego como vigilante patrimonial para se dedicar integralmente aos cuidados da filha. Atualmente, ela trabalha ao lado do marido em uma pequena loja de conserto de celulares e serviços de impressão. Segundo a mãe, o espaço foi adaptado para que Raphaela pudesse permanecer com eles durante todo o dia, evitando que ficasse sozinha.
A família já registrou boletim de ocorrência e aguarda notícias. Quem tiver informações sobre o paradeiro de Raphaela pode entrar em contato com as autoridades ou com a família.



