O Sistema Único de Saúde (SUS) não adota nenhum tipo de caneta emagrecedora no tratamento da obesidade, e não há, ao menos por ora, previsão para que esses medicamentos sejam incorporados à rede pública. No entanto, a quebra de patente da semaglutida e a consequente queda nos preços podem mudar esse cenário. Dados do Vigitel, divulgados em 2025, mostram que 25,7% dos adultos brasileiros enfrentavam obesidade em 2024, contra 11,8% em 2006.
Ministério da Saúde avalia incorporação, mas custo é obstáculo
O Ministério da Saúde afirma, em nota, que o tema é prioridade. No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) negou dois pedidos de adoção de medicamentos para obesidade: a liraglutida e a semaglutida. O impacto orçamentário foi estimado em mais de R$ 8 bilhões.
Quebra de patente abre caminho para genéricos
Em março de 2025, a patente da semaglutida expirou, permitindo que empresas brasileiras fabriquem versões mais baratas. A Anvisa já recebeu 18 pedidos de registro, e a primeira caneta brasileira, a Ozivy, da EMS, chegou às farmácias em junho. Nesta quarta-feira (29/07), a Anvisa aprovou mais cinco registros: Zempneo, Semavy, Orsema, Seemasun e Owozy.
Especialistas veem oportunidade histórica
"Com a quebra de patente da semaglutida e a queda drástica de preço, eu estou otimista", diz a endocrinologista Maria Edna de Melo, do Hospital das Clínicas da USP. Ela destaca que o preço caiu de R$ 1,4 mil para cerca de R$ 330. A Novo Nordisk apresentou nova proposta à Conitec com desconto de 59%, direcionada a pacientes com mais de 45 anos, obesidade grave e histórico de infarto.
Projeto-piloto e futuro do tratamento
Um projeto-piloto em Porto Alegre, chamado Real-Bari, acompanha 250 pacientes na fila da bariátrica. Especialistas alertam que o acesso inicial será restrito, mas a medida é um passo fundamental. "Esses medicamentos trazem benefícios adicionais, como redução de eventos cardiovasculares", afirma o endocrinologista Paulo Miranda, ex-presidente da SBEM.



