O município de Dourados, no Mato Grosso do Sul, enfrenta um surto crítico de chikungunya com 1.638 casos prováveis e cinco mortes registradas até o último dia 24. A taxa de positividade da doença é de 78,15%, ou seja, quase oito em cada dez testes realizados na cidade resultam positivos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 780 casos foram confirmados e 37 pessoas estão hospitalizadas.
Todas as cinco mortes ocorreram na Reserva Indígena, sendo a aldeia Bororó a unidade de saúde mais atingida, com 147 casos confirmados. O cenário levou à mobilização das autoridades de saúde municipal, estadual e federal, que enviaram reforços para intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
O médico infectologista Julio Croda, da Fiocruz e professor da UFMS, alerta que a taxa de incidência é de 620 casos por 100 mil habitantes, acima do limiar epidêmico de 300 por 100 mil estabelecido pela Opas. “A tendência é que a epidemia se espalhe pela cidade. Ainda estamos em abril, mês de alta transmissão”, afirma. Croda destaca que pelo menos 12 cidades sul-mato-grossenses têm disseminação ativa do vírus.
No Brasil, foram registrados 20.615 casos prováveis de chikungunya até o fim de março, com 15 mortes. No Mato Grosso do Sul, o número subiu de cerca de 1,8 mil em 2025 para 3.237 neste ano, grande parte em Dourados. O Ministério da Saúde liberou um aporte emergencial de R$ 900 mil para ações na cidade, incluindo vigilância, controle do mosquito e qualificação da assistência.
Na última sexta-feira, teve início a implantação de Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), técnica da Fiocruz que pode reduzir em mais de 66% a população adulta do Aedes. Foram instaladas 300 armadilhas, com previsão de chegar a mil unidades. O prefeito Marçal Filho pediu a colaboração da população para eliminar água parada e lixo, que servem de criadouros para o mosquito.



