A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou nesta quarta-feira (29) o 14º caso de sarampo no estado em 2026. O paciente é uma criança de 2 anos, residente na capital paulista, que não havia sido vacinada contra a doença. O caso eleva o alerta para a possível reintrodução do vírus, que havia sido considerado erradicado no Brasil desde 2016.
Detalhes do novo caso
Segundo a pasta, a criança começou a apresentar febre alta, tosse seca e manchas avermelhadas pelo corpo no dia 20 de julho. Após atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da zona norte, a coleta de amostras confirmou o diagnóstico de sarampo. A SES-SP informou que a criança não tem histórico de viagem internacional e que a fonte da infecção ainda está sob investigação.
O secretário estadual de Saúde, Dr. Carlos Almeida, afirmou em coletiva de imprensa: “Estamos diante de um cenário preocupante. A baixa cobertura vacinal, que em algumas regiões da capital não chega a 80% da meta de 95%, facilita a circulação do vírus. Reforçamos a necessidade de pais e responsáveis levarem seus filhos para vacinar.”
Surto de sarampo em SP
Desde o início de 2026, a SES-SP registrou 14 casos confirmados, sendo 12 na capital e dois no interior. Destes, 11 ocorreram em crianças menores de 5 anos não vacinadas. O último surto significativo no estado havia ocorrido em 2019, quando 1.689 casos foram confirmados. A nova série de casos acendeu o alerta nas autoridades sanitárias.
Dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI) indicam que a cobertura vacinal contra sarampo no estado de São Paulo caiu de 94% em 2020 para 82% em 2025. A meta recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 95% para garantir a imunidade de rebanho.
Medidas de contenção
A SES-SP anunciou a intensificação da campanha de vacinação em todas as unidades de saúde da região metropolitana, com horário estendido e busca ativa de crianças não vacinadas. Além disso, equipes de vigilância epidemiológica estão rastreando contatos próximos do novo paciente para identificar possíveis cadeias de transmissão.
O Ministério da Saúde também foi acionado e enviou 50 mil doses extras da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) para reforçar o estoque paulista. A recomendação é que todas as crianças de 12 meses a 5 anos recebam a primeira dose, e que a segunda dose seja administrada aos 15 meses.
Riscos e complicações
O sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida por via aérea. Pode causar complicações graves como pneumonia, encefalite e morte, especialmente em crianças desnutridas ou com sistema imunológico comprometido. A taxa de letalidade no Brasil, segundo dados de 2019, foi de 0,04%, mas entre crianças menores de 1 ano chega a 0,2%.
A secretaria alerta que qualquer pessoa com sintomas – febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas – deve procurar atendimento médico imediatamente e evitar contato com outras pessoas até o diagnóstico.
Contexto nacional
O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo em 2016, mas perdeu o status em 2019 após surtos em diversos estados. Desde então, o país luta para restabelecer altas coberturas vacinais. Em 2026, até o momento, foram registrados 38 casos no país, com São Paulo concentrando 37% deles.
A SES-SP reforça que a vacina tríplice viral está disponível gratuitamente em todas as unidades básicas de saúde e que não há contraindicações para a maioria das crianças. Pais que tiverem dúvidas podem consultar a caderneta de vacinação de seus filhos e procurar a unidade mais próxima.



