Solidão aumenta risco de depressão e automutilação, aponta estudo com 2 milhões de pessoas
Solidão eleva risco de depressão e automutilação, diz estudo

Um estudo publicado na revista Nature Communications revelou que a solidão pode contribuir para depressão, ansiedade, automutilação e redução do bem-estar. A pesquisa combinou dados médicos, comparações entre irmãos e análises genéticas com amostras de mais de 2 milhões de pessoas.

Metodologia e resultados

Conduzido por pesquisadores do Reino Unido, Países Baixos e Noruega, o estudo utilizou três métodos complementares: análise observacional, comparação entre irmãos e randomização mendeliana. Essa última técnica usa variantes genéticas para investigar possíveis relações de causa e efeito.

Os autores diferenciam solidão de isolamento social. A solidão é a sensação subjetiva de que as relações não atendem às necessidades emocionais, enquanto o isolamento social diz respeito à quantidade e frequência dos contatos sociais. Os resultados apontaram que a solidão pode aumentar o risco de depressão, automutilação e tentativa de suicídio, além de reduzir a felicidade, a sensação de propósito e a satisfação com a vida.

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Impactos na saúde geral

Também foram encontradas evidências de que a solidão pode estar associada à multimorbidade — presença simultânea de duas ou mais doenças — e à redução dos anos vividos com boa qualidade de saúde. Por outro lado, os pesquisadores não encontraram evidências consistentes de efeitos sobre condições físicas específicas, como doença arterial coronariana, AVC e diabetes tipo 2. A ausência de resultados conclusivos, porém, não descarta a existência de efeitos menores, que podem não ter sido detectados pelas análises.

“Nossos resultados sugerem que a solidão, e possivelmente o isolamento social, ainda são importantes preocupações de saúde pública, especialmente para a saúde mental e a saúde em geral. Apoiar pessoas que se sentem sozinhas ou socialmente isoladas pode ajudar a melhorar a saúde mental, o bem-estar e a saúde em geral”, disse Zoe Reed, pesquisadora da Escola de Ciências Psicológicas da Universidade de Bristol e autora correspondente do estudo, em comunicado.

Limitações e implicações

Para os pesquisadores, a solidão deve ser encarada como uma questão de saúde pública. Eles ressaltam, porém, que os efeitos ao longo da vida ainda são incertos, pois a solidão e o isolamento social foram medidos em um único momento, durante a meia-idade ou a velhice. Além disso, os participantes do UK Biobank tendem a ser mais saudáveis e ter melhores condições socioeconômicas do que a população geral, o que limita a aplicação dos resultados a outros grupos.

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