A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou o 16º caso de sarampo no estado em 2026. O paciente é um bebê do sexo masculino, com menos de um ano, que já recebeu uma dose da vacina tríplice viral. Ele reside na capital paulista, conforme informações da pasta.
Dos 16 casos confirmados, 13 foram registrados na cidade de São Paulo, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde recomendou que os três municípios ampliem a vacinação contra o sarampo para toda a população de 6 meses a 59 anos, inclusive para quem já foi vacinado anteriormente. O objetivo é interromper a circulação do vírus e evitar a reintrodução da doença no país.
Campanha de multivacinação começa nesta segunda-feira
A campanha teve início nesta segunda-feira (3) e segue até 1º de setembro. Na capital, a vacina será oferecida em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas AMAs/UBSs integradas. A ação vai reforçar a imunização contra o sarampo, oferecendo as vacinas tríplice viral e tetraviral, além dos demais imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação.
Nos outros 642 municípios paulistas, a campanha estadual será voltada à atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes de até 15 anos. Para ampliar a cobertura, a Prefeitura de São Paulo promoverá um Dia D em 22 de agosto, quando as 483 UBSs da cidade estarão abertas para atendimento.
Casos confirmados e perfil dos infectados
Em 2026, o Brasil já confirmou 19 casos de sarampo, sendo 16 em São Paulo. Os casos paulistas estão distribuídos: 12 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, “os casos foram identificados em uma região de intensa mobilidade populacional e elevado fluxo internacional de viajantes, cenário que favorece a introdução esporádica do vírus”.
O grupo de infectados inclui bebês de até 2 anos e adultos entre 20 e 50 anos. A maior concentração está na Zona Norte da capital, com seis casos na Vila Medeiros e dois na Vila Maria. Outros dois registros ocorreram na Zona Sul, nos bairros Capão Redondo e Jabaquara. Em São Bernardo do Campo, os dois pacientes foram infectados após contato com casos da capital, conforme explicou Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP).
Cobertura vacinal abaixo da meta
Os índices de cobertura da tríplice viral permanecem abaixo da meta do Ministério da Saúde, que é de 95% para ambas as doses. Neste ano, a primeira dose alcançou 77,5% de cobertura e a segunda, 65,5%. Em 2025, os percentuais eram de 94% e 84,4%, respectivamente.
Além das vacinas contra poliomielite e sarampo, estarão disponíveis durante a campanha todos os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação, incluindo BCG, hepatite B, pentavalente, rotavírus, pneumocócica conjugada, meningocócicas C e ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, varicela, DTP, hepatite A e HPV.
Declaração oficial e orientações
“A campanha reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças e adolescentes. Neste momento, ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a circulação do vírus e proteger a população”, afirmou Tatiana Lang.
A Secretaria de Estado da Saúde também disponibiliza o portal Vacina 100 Dúvidas, que reúne respostas às perguntas mais frequentes sobre vacinação, com informações sobre eficácia dos imunizantes, possíveis efeitos adversos, doenças imunopreveníveis e os riscos da não vacinação.
São Paulo é o único estado com surto ativo
De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo é atualmente o único estado brasileiro com casos confirmados de sarampo, situação que caracteriza um surto ativo. Esse cenário ocorre quando há casos interligados que formam uma cadeia de transmissão do vírus em uma ou mais regiões.
A diretora do CVE afirma que ainda não foi possível identificar a origem da cadeia de transmissão. “Estamos considerando esses casos como relacionados à importação por conta do sequenciamento do tipo viral identificado. Até o momento, nós não sabemos qual foi a fonte inicial. Precisamos passar algumas semanas sem confirmação de novos casos para dizer que conseguimos interromper todas essas cadeias de transmissão”, explicou.
O Brasil recebeu pela primeira vez, em 2016, o certificado de eliminação do sarampo concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), após permanecer um ano sem circulação sustentada do vírus. O país perdeu esse reconhecimento em 2019, quando registrou cerca de 18 mil casos da doença, e recuperou o certificado em 2024. O aumento de casos em São Paulo, no entanto, volta a acender o alerta das autoridades de saúde para a importância da vacinação.



